Regredimos mais de 30 anos?
Eu ainda era solteiro, e
juntamente com mais 06 amigos, resolvemos empreender uma grande viagem pelo país, seriam mais de 20 dias explorando os estados do sul e sudeste, com
muito planejamento e alguma dose de aventura saímos em dois carros em uma
madrugada de fevereiro.
O Brasil vivia mais uma fase de
ajustes econômicos, éramos um laboratório de teses econômicas à céu aberto.
Preços congelados, limites de consumo, venda de combustível racionada, e muito mais.
Porém jovens e sonhadores, com menos de 20 anos na carteira de identidade,
saímos em busca de conhecer o Brasil.
João Pessoa, pernoite em Feira de Santana, e por ai vai. Naquele tempo nada de internet e outras tecnologias, viajamos com confirmações de hotéis feitas pelo telefone e fax, uns trocados na carteira, despesas comuns eram compartilhadas por todos, talões de cheques e alguns dos amigos tinham o avançada cartão de saque em bancos do tipo 24 horas, que na ocasião se restringiam ao Banorte (já extinto) e ao Bradesco que se chamava “dias-e-noite”. Não tínhamos nenhum contato com cartões de crédito, e acreditem, nossa viagem transcorreu sem maiores sustos de nenhuma natureza. Afinal o tráfego nas estradas não era algo assustador, a situação das estradas idem, e a violência era coisa de filmes americanos, ou ocasiões esporádicas, em reportagens sobre crimes que passavam para o patamar de extraordinários, tal era a sua excepcionalidade.
João Pessoa, pernoite em Feira de Santana, e por ai vai. Naquele tempo nada de internet e outras tecnologias, viajamos com confirmações de hotéis feitas pelo telefone e fax, uns trocados na carteira, despesas comuns eram compartilhadas por todos, talões de cheques e alguns dos amigos tinham o avançada cartão de saque em bancos do tipo 24 horas, que na ocasião se restringiam ao Banorte (já extinto) e ao Bradesco que se chamava “dias-e-noite”. Não tínhamos nenhum contato com cartões de crédito, e acreditem, nossa viagem transcorreu sem maiores sustos de nenhuma natureza. Afinal o tráfego nas estradas não era algo assustador, a situação das estradas idem, e a violência era coisa de filmes americanos, ou ocasiões esporádicas, em reportagens sobre crimes que passavam para o patamar de extraordinários, tal era a sua excepcionalidade.
Conhecemos cidades do sul e
sudeste, fomos na divisa do Brasil com o Paraguai e Argentina, em Foz do Iguaçu.
Tomamos frio em Gramado e Canela, ainda separadas por uma estrada pequena, hoje
são cidades siamesas; Porto Alegre com seus encantos e estradas especiais, a
chamada ”Free Way” havia sido inaugurada fazia pouco tempo. Passamos o carnaval
entre o Balneário Camboriú e São Paulo, para logo depois curtir os encantos do
Rio de Janeiro, em apartamento de temporada, alugado na semana que chegamos à
cidade maravilhosa, ocasião que pagamos em cheque, sem avalista.
Como disse, pouco menos de um mês
de viagem e estávamos de volta à nossa pacata João Pessoa, então ocorre o único
incidente da viagem. Chegamos em um sábado, e na ansiedade de rever nossos
familiares, corremos de casa em casa para “entregar” os passageiros. Como
compramos coisas durante estes dias, acho que foram 26, tivemos que instalar um
bagageiro de teto para um dos carros, e passamos boa parte da viagem usando
este acessório para colocar parte da bagagem. E foi
justamente uma das malas, que estava no bagageiro, que caiu durante o périplo
entre as casas dos amigos. Caiu na Avenida Epitácio Pessoa, e só demos conta do
ocorrido ao chegar na próxima casa. Um pouco tristes e assustados, percorremos
o caminho de volta e passamos na delegacia da Epitácio Pessoa; e lá estava a
mala; um habitante de João pessoa, anônimo, viu a mala cair de cima de nosso
carro e não teve dúvidas de entregar na delegacia, sem nem tentar abrir a mala,
que estava lotada de compras da viagem.
Ao chegarmos na delegacia, nos
identificamos, o agente fez algumas perguntas para chegar se nós éramos os
donos da mala e liberou a entrega. Abrimos a mala lá mesmo, e como esperado
para a época, estava tudo lá. Apenas um pouco mais remexido devido ao tombo do
teto do carro.
Agora façam um exercício deste
ocorrido para os dias de hoje. O que teria acontecido? Seriam tantas opções de
desfecho desta história que daria um livro, com cerca de 90% dos desfechos
ruins, desonestos e criminosos. O Brasil mudou demais neste pouco menos de 30
anos, e se olharmos por este ângulo não foi para melhor.
Foram 26 dias de viagem pelas
estradas do Brasil sem nenhuma, repito, nenhuma ameaça de violência, mesmo nas
grandes cidades, e vejam, éramos jovens de menos de 20 aos. Você deixaria hoje
seu filho fazer esta viagem? Quase que a totalidade das respostas seriam um NÃO
bem grande, e naquele tempo até os telefones eram ruins, sem celular, e-mail ou
algo que o valesse. Todos vivos, felizes e realizados.
Se houve, e houve progresso no
Brasil foi no campo material, pois no campo moral e ético, regredimos mais de
30 anos.
Até a próxima.
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