Síndrome do melhor, do maior, do mais importante.
Você já reparou nos anúncio de hoje em dia, não existe segundo lugar, todos querem ser o melhor, o maior, o mais belo, o mais saudável, etc. O que anda acontecendo com os anunciantes? Será algum tipo de modismo anacrônico, ou uma tendência narcisista da propaganda mundial?Posso estar enganado, mas fomos nós consumidores que criamos esta percepção equivocada de valores aos produtos; e os fabricantes, ou mesmo as agências de publicidade e propaganda logo perceberam. Resultado; uma enxurrada de melhores e maiores, todos os dias. Mas será que é isso que queremos?
Abro o jornal, já estão lá, em cores vibrantes, muitos anúncios de melhores e maiores. Ao entrar na web, nas primeiras páginas, o mistério se repete; é melhor oportunidade daqui, mais equipada de lá, melhor negócio do outro lado; nada escapa a esta abordagem. Quando parece que vamos relaxar, abrimos a nossa revista favorita, então vem à surpresa; em páginas coloridas e muito bem impressas, surgem anúncios de alta classe, composições primorosas, imagens estonteantes, mas a mensagem continua a mesma. Deve ser uma conspiração ao nosso bom senso, e não nos resta outra coisa, senão pedir a nossa senhora dos consumidores que nos livre deste mal. E veja que não me referi à mídia nas televisões e cinemas.
O que ocorre é fácil de identificar, mas não tão fácil de explicar. Façamos então um exercício simples para obter algumas respostas. Como você comanda o seu comportamento de consumo? Afinal é disso que estamos falando. Pelo desejo, pelo racional, pela praticidade, pela economicidade, ou pelo conjunto de decisões? Geralmente a resposta vai ser a seguinte: Depende do tipo de produto que estamos tratando, se for de baixo valor agregado, ou de consumo esporádico, não nos fixamos em marcas em especial; mas quando partimos para análise de preço ou valor, somos muito influenciados pelos rótulos de "melhor", "maior" e coisas similares.
A segunda pergunta é a seguinte. Estes rótulos alteram a nossa percepção de conteúdo dos produtos. Eles entregam algo de melhor ou de maior? Novamente a resposta não é conclusiva, mas começa a deixar pistas de como somos influenciados por opiniões externas; muitas vezes que nem conhecemos, nem identificamos a origem.
Tem produto que utiliza estudos de empresas ou entidades internacionais para atestarem a veracidade dos rótulos; outras manipulam informações publicadas por meios de comunicação, separando exatamente o que interessa e deixando de comunicar pontos importantes, e nós, consumidores incautos, nos deixamos levar.
Nenhum consumidor tem como comprovar efetivamente se um produto é 50% mais saudável do que outro, somente porque um laboratório executou alguns testes. Confiamos no anunciado e pronto, colocamos no carrinho de compras. Nos automóveis a coisa é muito mais complicada, se você colecionar os anúncios de rótulos "melhores", "maiores", e similares vai enlouquecer, ou na melhor hipótese criar uma confusão mental interminável, fontes de dúvidas e questionamentos. O mesmo diagnóstico segue nos eletrônicos, produtos de limpeza, na construção civil, telefonia, não importa o ramo de atividade, o mal já chegou por lá, e só nos resta uma defesa efetiva, confiar em nossa própria escolha.
Temos nossas próprias preferências, mas nos deixamos influenciar excessivamente por agentes externos, depois geralmente encontramos uma frustração onde deveria estar bem estar e satisfação. Como se proteger deste mal dos "melhores" e "maiores"?
Use seu melhor instinto, faça suas próprias comparações, se possível efetue test-drives, leia releases de revistas e sites especializados, escute consumidores, ou seja, crie sua própria lista de melhores e maiores, ai sim, você terá tranqüilidade para efetuar a sua escolha, que vai cair bem em seu bolso, atender as suas verdadeiras necessidades, e trazer a satisfação que você tanto esperava daquele produto, seja um item de higiene pessoal, ou aquele carro dos sonhos. Afinal de contas, vai ter sempre alguém publicando algo assim: "Escolhido o melhor creme de barbear do mundo". Substitua o produto e faça sempre a mesma pergunta. Por quem? Quem é esta entidade? Respondido as questões, você vai ter em muitas das respostas, pessoas e entidades anônimas, que não fazem parte de seu mundo; considere como uma resposta certa se esta instituição for representativa a sua realidade. Não duvide, seu sentimento vai valer mais que mil palavras (dos outros....).
Até a próxima.J. Carvalho Neto
Muito bom. E onde fica o diferencial? É tudo igual? O posicionamento é sempre o mesmo?
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