Definindo Competências. O lado prático.
J. Carvalho Neto
Jovens formandos são uma usina de virtudes, têm uma energia invejável, e um apetite para ganhar o mundo impressionante, mesmo com o mercado difícil, com uma concorrência acirrada e com vagas de menos, eles estudaram muito, alguns mais que outros, e esperam a primeira oportunidade para por em prática os anos de universidade e outras especializações. A seu favor a idade, no oposto, a pouca ou nenhuma experiência, geralmente este dilema está em uma mesa de um executivo que precisa desesperadamente contratar alguém especial para uma vaga promissora. Pode parecer uma decisão simples, mas definir e avaliar competências são uma arte, já vai longe o tempo que se permitiam decisões descompromissadas e pouco estudadas, o mundo dos negócios atuais não permite equívocos significativos, somente eventuais ajustes, mas o bom mesmo é fazer a coisa certa, na primeira tentativa, economizamos tempo e recursos, além de sairmos na frente da concorrência.
Os inúmeros compêndios de administração e gestão moderna de empresas possuem as melhores definições para avaliar competências. O executivo tem na base teórica, rico manancial de leis, regras, dicas e truques, que já são usados em parte na gestão da equipe que comanda. Mas ele não pode esquecer-se de avaliar a pessoa, e seu lado comportamental como fator importante, diferencial decisivo, no mundo cada vez mais igual, ou pelo menos, parecido.
Por definição simplista e genérica, temos que Competência é a junção do preparo intelectual ou Conhecimento (estudo, especialização, bagagem acadêmica), somado a Habilidade (utilização de ferramentas, manuseio, controle) de executar e cumprir com eficiência e eficácia determinada tarefa, e a Atitude (ação, determinação, perseverança) em colocar na prática os itens anteriores como forma concreta de executar as decisões. O que vêm mudando a passos largos é outro fator, que antes era quase ignorado, o Tempo ou Timing, já que de nada adianta decisões tomadas com base nos melhores conhecimentos, nas melhores análises, com a equipe mais preparada e habilidosa, no tempo errado.
Temos no cenário atual um ritmo alucinante de processos e decisões que caminham em paralelo, empresas e pessoas na busca de um diferencial que o mercado ainda não possui ou ainda não enxergou. Hoje se faz necessário ajustar e conhecer o Tempo, para ouvir, para falar, para agir, comandar, para correr, para simplesmente acompanhar, e no instante certo, adequado, executar o conjunto de competências que você e sua equipe estão aguardando para pôr em prática.
Podemos fazer aqui um paralelo a um velho caçador, que dominando o território de caça, a arma e a munição (Conhecimento), se esconde silenciosamente entre os arbustos para espreitar a caça (Habilidade), avalia com paciência e sabedoria (Timing) o momento certo, e chegada à hora, desfere o golpe fatal (Atitude) com grande possibilidade de sucesso.
Esta situação não é novidade, todos entendem ou deveriam entender que para alcançar o sucesso devemos seguir uma seqüência acertada de passos, na ordem certa e no tempo adequado. Mas o tempo, ou a sua adequação aos fatos nos dias atuais, forçam os executivos a decisões apressadas, tomadas no calor da batalha sem o devido preparo ou cuidado, entregando atribuições a jovens muito bem preparados, mas sem o quesito experiência, e pior ainda, sem o apóio necessário ao cumprimento da missão; não é nenhuma surpresa prever o resultado alcançado, sucesso parcial ou até mesmo fracasso. Em resumo, pessoas preparadas intelectualmente sem a vivência mínima no mundo dos negócios, precisam de amparo e uma supervisão experiente, que possa orientar e indicar as armadilhas não descritas nos manuais e livros; que suportem e ajudem a este iniciante a aprender sobre as pessoas, suas atitudes e comportamentos; que possibilite um histórico de casos de sucesso, criando um modelo de atuação a ser seguido. Este profissional descrito acima é um Expert, aquele sujeito que consegue reunir o conhecimento aplicado na prática, que acumulou nos anos de vivência um know-how tão especial que passa a ser a referência, o modelo a ser seguido.
Prefiro compartilhar com alguns mestres estudiosos e praticantes da arte moderna de administrar, que o talento humano é insubstituível, que processos, equipamentos, métodos, controles e teorias, são fundamentais, mas dependem da competência, talento e envolvimento dos homens e mulheres de talento, que brotam em nossas universidades, e muitas vezes são desperdiçados por gestores ineficientes, que não sabem ou não tiveram a oportunidade de aprender a valorizar o bem mais precioso e insubstituível que as empresas possuem as pessoas.
Quando nos debruçamos sobre os exemplos das corporações de sucesso encontramos um traço comum entre elas, foi o talento individual ou coletivo que proporcionou o crescimento e destaque, passando de coadjuvantes a guias e modelos. Quando precisar avaliar a competência ou tomar decisões a cerca de sua equipe, não se esqueça de levar em conta o lado humano de cada um. É na busca e identificação de suas capacidades e seus limites que você vai montar uma equipe vencedora, capaz de agir com rapidez, consistência e tenacidade, diante dos maiores desafios que se façam à frente, neste tempo que voa, ou melhor, que se recria a cada segundo.
Por fim uma pequena dica, aprendida da experiência dos mais sábios, escolha a sua equipe com base a uma simples resposta a esta pergunta: Quem você levaria consigo se tivesse de enfrentar a bordo de um pequeno barco uma enorme tempestade? Comece já a reformar a sua equipe.
Até a próxima.
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