A crise; a oportunidade e o engodo.

Às vezes acho que 2008 não acabou. Os mais eminentes economistas do mundo repetem isso a todo instante, e desta vez o nosso onipresente e laureado Honoris-causa não está lá para dizer que somos imune a tudo isso. A crise é na Terra, mas som os de Marte, diria ele. Mas as notícias não nos deixam esquecer, a grave crise que se iniciou em 2008 ainda está longe do fim. Os governos dos países desenvolvidos já emitiram bilhões de dólares e euros em papeis, e os mercados insaciáveis continuam a querer mais, e a pergunta recorrente é: Onde tudo isso acaba?
Posta a crise, sempre haverá uma oportunidade. E isso para o Brasil cai como uma luva, seria a grande chance de dar o maior salto em nossa história, dentro do cenário mundial, como uma verdadeira economia forte e pujante, que mostra na seriedade das leis e a agilidade da regulamentação das condições de competitividade, que trás oportunidades aos fornecedores e aos clientes, aos investidores e aos poupadores. Isso seria o ideal, mas recentemente nosso governo central, caiu em contradição na hora que alterou o percentual de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os automóveis importados de forma muito dura, em alegação da defesa da indústria nacional; e dias depois, na ONU, nossa presidente, pregou o fim do protecionismo.  Ou fico doido eu ou fica o governo do país.
Governos são afeitos a arroubos desta natureza, mas governos sérios não. Não podemos querer que o mundo nos enxerque de maneira séria e nos comportamos como oportunistas de plantão. É verdade que os automóveis importados estão invadindo a nossa praia, mas eles não trazem só problemas; trazem oportunidades ao consumidor, a rede de concessionários e ao país, desde que tratados seriamente.
 A Coréia do Sul já havia dado o exemplo nos anos 90, bastava o nosso querido time de Brasília ter procurado um bom exemplo e aplicar aqui, mas o peso da decisão imediata prevaleceu. Lá na Coréia, o governo chamou a indústria e expos suas condições, elas teriam que colocar um pé na indústria local, fosse com produção, com desenvolvimento, com pesquisa, matéria prima, seja como fosse, mas teriam de gerar conhecimento e riquezas lá na Coréia do Sul, se tudo fosse feito, podiam participar do mercado interno. Deu um prazo, escutou as propostas e pronto, tem hoje, 20 anos depois, uma indústria automotiva e de autopeças das mais fortes e atuantes do mundo.
Por aqui foi o contrário, a nossa impressão é que a coisa vai funcionar mais ou menos assim. Primeiro vamos dificultar, depois quem se enquadrar, sentamos para conversar então vamos ajustando às normas aos que se comprometerem com o Brasil. Se assim ocorrer não será mal, a forma é que foi brutal. Fico na torcida de que realmente haja o ajuste tão necessário ao desenvolvimento de nossa indústria. Se realmente os novos pretendentes a fabricantes de automóveis querem vir ao Brasil e se tornar parte efetiva do parque fabril nacional, precisam também mostrar seriedade e compromisso efetivo com o país e se fazer confiável através de investimentos que deixem frutos em terras tupiniquins. O governo central já deixou claro que não quer encher o Brasil de CKD´s (Sistema de Fabricação por Partes Semidesmontadas, em tradução livre), e sim implantar por aqui um conjunto de indústrias, centros de pesquisa e desenvolvimento, centro de desenhos, que possam catapultar o 4º maior mercado em 4º maior fabricante de automóveis no mundo.  Hoje já existe a projeção de que nosso mercado em breve ultrapassará o Japão, que atualmente ocupa o terceiro posto, estamos na torcida.
Ficamos aguardando por melhores produtos, por mais competitividade, por mais tecnologia, tudo isso é claro, made in Brazil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Regredimos mais de 30 anos?

O PIB real é o melhor presente para nosso futuro

Desconstruindo a sabedoria oriental