A influência da sociedade na economia.


Particularmente  fico assustado com o rumo que as coisas tomam aqui no Brasil, e a nossa sociedade não dá sinais de que deseja verdadeiramente mudanças. Somos um grande aglomerado de grupos de pessoas, distribuídos em diversas classes e subclasses com interesses tão diversos quanto os valores que defendem. E com isso afeta os negócios da Paraíba? A resposta é tão simples e direta que até carece de explicação, mas vou tentar tomar mais uns minutos do seu precioso tempo e detalhar o efeito maléfico de tal situação, a propósito, afeta e muito.

Economicamente a Paraíba é uma sociedade onde o nosso maior empregador é setor prestação de serviços, sejam eles públicos ou privados; nossa indústria ainda é uma promessa e o comércio depende diretamente do desempenho dos serviços, a agricultura coitada, vive de sobressaltos, o extrativismo e exploração mineral não passam de miragem política de eterna realização em um futuro promissor.

Vivemos hoje um fenômeno que pode ser identificado, mas dificilmente é nominado, pois de tão esquisito, chega a ser desconfortável; que é o surgimento de grandes e novas riquezas de empresas ligadas à prestação de serviços, na sua grandiosíssima maioria para o serviço público, sejam em todos os níveis; municipais, estaduais e federais. Em poucos anos e até mesmo em meses surgem novos jogadores deste certame, e já surgem fortes robustos e capitalizados, como em um passe de mágica.

Aqui não nos cabe nenhum tipo de investigação nem crítica, a sociedade civil organizada e o poder público têm os instrumentos necessários para a busca de respostas para estas perguntas; a nós cabe apenas à análise de como este fenômeno afeta a organização da sociedade e suas consequências.

Formar empresas, criar reputação, história, e deixar uma estrada pavimentada, exemplo para ser seguido, onde o trabalho contínuo e bem feito, respeito aos valores éticos e morais, respeito ao ser humano e a sociedade onde esta empresa está inserida, parecem hoje uma escolha somente para os mais ingênuos, ou os mais firmes de propósito; o bom propósito, diga-se de passagem.  O mais comum é vermos fortunas surgirem de repente, como se mágica fosse; e de uma sala pequena, aflora uma grande empresa, com faturamento de milhões, simples assim, do dia para a noite. Alguém acaba vendendo a alma ao diabo, e dizem que o diabo paga bem.

Identificado o fenômeno, vamos as suas consequências ou suas implicações com os valores que a nossa sociedade atual acredita e professa.

Em passado recente, nosso maior mandatário, recorreu à retórica e ao descaso com os valores morais para afirmar veementemente não ter conhecimento, ligação ou até mesmo, duvidar da existência do que se costumou chamar de mensalão, além é lógico, da celebre frase dita em entrevista ao maior canal de televisão, diretamente de Paris, na afirmativa de que todos os partidos faziam uso do famigerado caixa dois em campanha política. Ele disse isso e muito mais, pois a história registra um sem fim de exemplos, onde os valores éticos e morais de uma nação inteira foram destruídos somente para atender ao desejo político de poder.

Feito a troca democrática, tendo deixado este péssimo exemplo cívico ao nosso país, onde todas as aberrações morais e éticas são coisas tolas e banais, agora passam a ter uma justificativa, ou da negativa vaga, ou da dissimulação ululante.

O espírito democrático e o estado de direito recebem agora mais um golpe de monta similar na comprovação material da mais alta dissimulação, onde o principal ministro do atual governo figura de inteligência reconhecida, tido como um dos principais artífices da governabilidade, do antigo e do atual governo, capitula (moralmente) em entrevista que tinha por objetivo a explicação pública de graves denúncias de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, mas que somente serviu para a comprovação de que o poder está acima de qualquer coisa, sendo justificado todo o tipo de atitude para fazer que a sua empresa, que surgiu do dia pra noite, e apareceu faturando milhões de reais em um espaço de tempo muito curto, e rapidamente foi encerrada, atendesse aos mais nobres anseios de parte da sociedade em participar mais ativamente das inúmeras oportunidades que afloram em nossa economia. Justificando ainda de que a sua expertise seria o grande produto que a sua empresa vendia, chamou todos os outros jogadores do mercado de tolos, afinal ninguém que não esteve nem participou das decisões onde o atual ministro atuou e teve acesso, pode possuir nem de longe parte desta tal expertise.

Como disse acima não cabe julgar em uma página. A comprovação simples e imediata que a nossa sociedade aceita tais atitudes, por desinteresse, negligência, ou falta de espírito cívico, mas principalmente porque não professa nem acredita nos valores morais e éticos que regem uma sociedade de futuro é extremamente preocupante, sem esquecer parte da sociedade que fica torcendo para chegar a sua vez de mamar nas telas da vaca sagrada, ou vaca profana, como queiram.

Se quisermos ter um futuro decente e digno, temos que mudar nossos olhos e ouvidos imediatamente, para entender o que se passa pelo poder, seja em escala municipal, estadual e federal, e não aceitar que tais serventuários possam se alvoroçar de direitos que não possuem, e destruir valores que são de uma nação, em benefício próprio ou de alguns poucos, pois caros leitores, como sabemos não existe almoço grátis, e quem paga esta conta somos nós.
Até a próxima.

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