Eufemismo Governamental
O progresso está em nossa bandeira, foi e é lema e tema de
muitos governos e durante algum tempo, foi tratado quase que exclusivamente
como um atributo estatal, como se a iniciativa privada fosse avessa ou
simplesmente não conseguisse atingir ou realizar o progresso.
Continuamos com o progresso em nossa bandeira, mas os tempos
são outros, e ao que parece as posições são inversas, a iniciativa privada
progredindo de forma clara, até o limite onde os domínios governamentais permitem,
e o governo, com suas obras e suas ações geralmente atrasadas. Parte deste atraso se deve ao
grande mal do Brasil, a corrupção, que nas palavras de Ulisses Guimarães já
dizia: “O poder não corrompe o homem; é o homem quem corrompe o poder. O homem
é o grande poluidor.” Mas esta coluna não é de política e vamos ao que interessa;
o progresso, ou em muitas vezes a falta dele.
Vivemos hoje em uma das regiões que mais crescem no Brasil,
e a Paraíba tem aproveitado bem as oportunidades que têm surgido, nossa
construção civil é forte e pujante, nosso comércio cresce a cada ano, tanto no
atacado como no varejo, o mercado automotivo também enfrenta crescimento acima
da média nacional, e o setor de serviços
desempenha hoje números invejáveis. Não podemos negar em nenhum momento
que parte deste progresso veio das ações sociais implantadas por diversos
governos desde 2004 e tem no Nordeste a região que mais se beneficiou deste
fenômeno, a iniciativa privada foi capaz de tirar proveito deste momento
histórico, mas as ações desenvolvimentistas governamentais ainda ficam no campo
do eufemismo.
Estamos assistindo ano a ano, um sem fim de obras, federais
ou estaduais e municipais, que são inconclusas, ou estouram os prazos de
conclusão por longa data, o PAC se realiza de forma lenta, e os custos destas
obras vão à estratosfera, imagine se o mesmo ocorresse na iniciativa privada?
Simplesmente não existiria empresa capaz de suportar tanto aumento de custos, e
a derrocada seria a saída final. Mas o
constante aumento de arrecadação garante abusos de orçamento nunca vistos na
história republicana deste país, e ficamos por isso mesmo.
Assistimos aos programas de incentivo, como este anunciado
em início de abril, onde as bases de nossos problemas não são atacadas, e
ficamos arremedando partes da economia que passam por problemas graves, na sua
grande maioria estruturais; que somente serão sanados ou resolvidos com
reformas fiscais e econômicas profundas, que ainda não conseguimos enxergar no
horizonte.
Os entraves políticos são sempre a barreira conhecida da
grande massa, mas será que existe realmente vontade administrativa para tais
mudanças? Será que realmente a estrutura da governança pública brasileira
permite tais reformas? Os simplesmente é mais fácil caprichar nas propagandas e
nos pronunciamentos, utilizando o eufemismo característicos dos últimos
governos, nacionais e estaduais, e fazer de conta que tudo segue às mil
maravilhas.
Assim como aquele grande petroleiro lançado ao mar em águas
pernambucanas, que depois da cerimônia voltou ao estaleiro; de onde, aliás,
ainda não saiu; nossas obras e reformas estruturais seguem em construção,
permanentemente.
Não que a iniciativa privada seja perfeita, também
diagnosticamos falhas, mas são em menor escala, e muitas delas decorrentes da
grande teia que amarra o setor produtivo
no Brasil.
Precisamos urgentemente de aperfeiçoar, simplificando a
nossa estrutura de impostos, desonerando as atividades producentes, afinal, o progresso se faz com
muito planejamento, trabalho e se sobrar recurso com propaganda.

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