Síndrome da ausência do melhor aluno da turma
Não se assuste com o título, mas
pode ir se preparando para se assustar com as consequências deste tema. Tem a
ver com um programa de incentivo à educação, implantado na distante e pouco
conhecida Tailândia, depois de uma grave crise econômica que atingiu em cheio o
pais em 1997. Era preciso migrar da fonte de riqueza agrícola baseada no arroz
e cana de açúcar, para um setor mais valorizado e próspero. A indústria se
serviços, turismo e produção de bens de consumo.
A educação era a chave, a boa
educação era e ainda é o alvo do sistema educacional de lá, público, gratuito e
sem cotas. A Tailândia é um território encrustado no coração da Ásia, com pouco
mais de 513 km² e população que beira os 66 milhões de habitantes. É uma
democracia noviça, na verdade uma monarquia constitucional, o rei existe, mas
não governa, como Espanha e Japão. Sua religião é budista e sua economia estava
baseada na agricultura de base. Depois de 1997 tudo mudou, e para melhor.
O programa se baseia em uma ideia
simples. Cada turma, desde o ensino fundamental teria de possuir um ótimo aluno
entre os estudantes, que serviria de exemplo, e estimularia os demais a
progredir no aprendizado, a meta era a excelência estudantil e pessoal. Além de
matérias, conduta ética e nacionalismo eram avaliados. As turmas das mesmas
séries competem entre si na escola; depois as melhores competem entre as
escolas, depois as escolas competem entre as cidades e por fim nacionalmente.
Não é uma competição por competição,
é um programa de progresso e desenvolvimento escolar, em um país com tantas
desigualdades ou mais, quando comparado ao Brasil, era um desafio enorme, mas
hoje esta realidade é um bem que pertence ao povo, a nação Tailândia, e faz
parte da cultura. Foi este programa que fez o país progredir e mesmo sem estar
entre os BRIC´s será uma das potencias que despertará depois desta crise
mundial que atravessamos. Sua taxa de analfabetismo é de menos de 7% da
população e a sua indústria já começa a aparecer na lista dos grandes
exportadores do mundo. E você pode me perguntar o que temos a ver com tudo
isso? A resposta é simples, educação transforma uma nação.
Além de uma nação melhor, mais
justa, próspera, alunos e escolas ganham prêmios é claro. São melhores
instalações, laboratórios, ginásios, transporte escolar, além de prêmios em
dinheiro e viagens de intercâmbio escolar entre as melhores escolas do mundo entre
outras coisas materiais. Premiação com medalhas e diplomas que laureiam os
destaques que passam a ser conhecidos nacionalmente, portanto são heróis
nacionais. Por aqui, o que se tem mais próximo em notoriedade são os finalistas
do BBB (IRC !!!);
Enquanto por lá uma programa
nacional estimula os melhores alunos a alimentar um ciclo virtuoso no progresso
e desenvolvimento de todos; por aqui algumas iniciativas privadas fazem
justamente ao contrário. Quem nunca ouviu falar nas turmas que existem nas
escolas particulares que agrupam os melhores alunos em sinal de excelência
daquela entidade? Principalmente nos anos anteriores ao vestibular?
Não tenho dúvidas que é um grande
cartão postal para uma escola ter uma turma de excelentes alunos que irão
passar no vestibular e garantir propaganda e mérito para aquela escola, mas os
ganhos são limitados, muito limitados.
Como projeto nacional não temos
nada parecido, e foi justamente esta ausência que me fez pensar o futuro que
nos aguarda, pois se desejamos ser uma nação líder no futuro, já estamos
atrasados em muito nesta e em outras iniciativas, passamos exatamente pela
síndrome da ausência do melhor aluno da turma, ainda a pouco nosso líder era
semi alfabetizado.
Até a próxima.
José Carneiro de Carvalho Neto

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