Lições que não serão esquecidas.


É inegável que vivemos dias históricos, com uma nova face do Brasil mostrando a cara e pedindo o que todos nós sempre desejávamos; mais saúde, segurança, educação; menos desvio, menos roubo, menos corrupção. Em resumo mais respeito e dignidade. Não podemos negar que é um sopro de vida em um povo que se mostrava à muito acomodado. A grande pergunta que fica é: Estas lições serão aprendidas por nossa gente e pelos nossos governantes? E ficamos todos nós na torcida para que a resposta seja um retumbante SIM.
Ainda muito jovem, um grande mestre da vida, do qual guardo inúmeras referências me dizia: “Meu filho, se você é sabido (adj (part de saber)  2 Que sabe muito; conhecedor, erudito, perito, versado.) parabéns, mas; não ache que o outro é besta (adj m+f 2. Ignorante, de não instruído). Em resumo respeite o seu interlocutor, mesmo que você esteja muito bem preparado para a tarefa, decisão ou debate. Não subestime, não tripudie, não brinque, não desrespeite seu interlocutor.  Lição simples, que vive esquecida por alguns. E aqui caberia uma tarja de alerta, similar ás que vêm nas embalagens de cigarro, do tipo “ A não observação desta regra simples, pode trazer graves e permanentes consequências ruins à sua vida”.
A falta de respeito nas tratativas profissionais é uma das grandes mazelas que assola nosso Brasil, já tratei aqui em outras colunas, o total desrespeito pelo trato da palavra, do acordado, da verdade. Como todos sabem, abomino integral e permanentemente este tipo de atitude tão comum atualmente, mas que acredito, e as multidões nas ruas já sinalizam; estão com os dias contados.
Mas, aparentemente, nossos governantes, praticamente de todos os partidos não observaram esta regrinha. Partiram desesperadamente, depois de um assustador silêncio que emulava a culpa solene, para anúncios de ações, de projetos e de devaneios que não refletiam o que nosso povo, agora tratado como o gigante acordado, pedia.
Houve de imediato a redução de tarifas, tão bem vindas em tempos de inflação realmente mais alta do que a propaganda governamental apregoa, e nossa nova classe média viu seu ganho virar pós diante de tantos aumentos nos caixas de supermercados, farmácias, e roletas de transporte público. Era inevitável o reclame, mais alguém ignorou o interlocutor.
De repente as ideias superavam em muito os ideais, e surgiram constituinte exclusiva, e plebiscito. Fio aqui com uma perguntinha básica: Estas pessoas estavam mesmo no Brasil? Quem pediu estas coisas? Novamente não respeitaram o interlocutor.
Sobre o pedido de explicação quanto aos gastos muito acima do normal para a realização dos estádios de futebol utilizados na copa das confederações e posteriormente na copa do mundo de futebol de 2014, não houve resposta. Sem contar que em nada foi falado das obras estruturantes de mobilidade, inacabadas ou simplesmente não iniciadas. Aqui a omissão foi a grande tônica, e mais uma vez nosso povo que foi às ruas ficou sem resposta.
Alguns do congresso nacional correram para aprovar projetos que estavam dormindo em gavetas profundas da inatividade e do obscurantismo legislativo. Não entendo e não posso verdadeiramente afirmar que os benefícios foram exatamente os que nossa gente pediu. Mas sem dúvida houve um progresso. Mas sou obrigado a afirmar que se os políticos estão achando que nossos cidadãos são tolos, irão pagar um preço muito alto nos próximos anos.
Portanto meu amigo leitor desta corajosa revista EDIFICAR (veja que nome mais pertinente aos dias de hoje, edificar um novo Brasil, em novas bases). Não ignore seu interlocutor na sua empresa, na sua família, no seu trabalho, pois as consequências do breve futuro pode ser uma imensa manifestação contraria, sem controle e de consequências imprevisíveis. Quem viver vera.
A propósito, o grande mestre ao qual me referia, é o meu avô materno, José Lopes da costa, in memoriam.
Até a próxima.
José Carneiro de Carvalho Neto

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