Massacres Sociais. De Rosewood à São Luis.

Um ano atrás, na edição de Edificar, escrevia sobre as oportunidades perdidas em 2012 o que nos levaria inevitavelmente a uma colheita de resultados duvidosos em 2013; não deu outra, a economia patinou, os ajustes não vieram e o que temos de concreto é mais um ano patinando de lado, um ano de pibinho, como dizem os analistas. Mas há agravantes, e como existem, pois os desajustes sociais pipocaram como milho quente, por toda a nação e não sejamos simplistas para achar que perdas econômicas não geram perdas sociais. Não vou entrar na questão política, mas é impossível analisar 2013 sem ressaltar a criminosa e odiosa manipulação que o governo central tem feito com o povo, os valores e a história do nosso Brasil. O que importa mesmo é o poder, mesmo que isso custe uma guerra social.
Nossa péssima distribuição de renda vem somada a uma degradação acelerada da qualidade dos serviços públicos primários como saúde, educação e segurança.  Sem esquecer que a inflação da vida real é sempre superior ao informado oficialmente. Mas não adianta reclamar do governo central, existe todo um exercito de pessoas, conhecidos e anônimos, para mentir ao povo brasileiro, dizendo e repetindo sempre que vivemos no paraíso tropical mais perfeito entre as galáxias conhecidas pela ciência. Tenho certeza de que todos sabem de que mentir é um artificio perigoso, com consequências graves na política e na economia.
Rosewood era uma cidadezinha pacata, de maioria negra, situada na região central da Flórida, ao sul dos Estados Unidos. Com base em acusações não comprovadas de que uma mulher branca teria sido espancada e estuprada por um negro, homens brancos de cidades próximas lincharam um negro de que por azar ou destino, calhou como suspeito do crime. Quando os moradores negros se defenderam de ataques posteriores, centenas de homens brancos passaram a persegui-los e queimaram quase toda a cidade. Os sobreviventes se esconderam por dias em pântanos na região e somente dias depois foram retirados por trem ou carros. Não havia provas, somente uma acusação leviana e mentirosa de uma mulher branca, e isso bastou para desencadear o massacre, pois contam historiadores que entre 40 e 60 pessoas, maioria absoluta de negros, foram mortos. As autoridades locais e estaduais foram incapazes de controlar a violência, gerada por uma mentira. O massacre que ocorreu na primeira semana de janeiro de 1923 no Condado de Levy foi tema de um filme de 1997 dirigido por John Singleton. Rosewwod é hoje uma cidade fantasma.
Quantas mentiras e omissões já foram capazes de desencadear massacres sociais no Brasil, e aqui o poder público faz questão dele mesmo ser o autor, promotor e defensor das mentiras oficiais. Ou não nos deixa esquecer São Luís do Maranhão, com seus presídios de violência medieval e crianças queimadas vivas nas fogueiras dos ônibus das periferias. O massacre se estende ao incrível número de mortes violentas nas grandes cidades e periferias, onde o tráfico de drogas impera. A violência atual é estonteante, e aqui a versão dos fatos é mais importante do que os fatos, modus operandi corriqueiro no comando atual.
Manipulações de índices econômicos transformam a inflação em uma praga aceitável, mas aqui também a verdade se impõe e a cada visita ao supermercado, em renovações de contratos de alugueis, mensalidade escolar não nos deixa esquecer. A inflação voltou isso é fato, e cabe a cada gestor, administrador de orçamentos, se enquadrar dentro de uma realidade que vai muito além do discurso oficial, já que como se diz na minha terra natal não de paga conta inteira com metade do dinheiro.
Como podemos observar; pela conjunção, de fatos políticos diversos, se tem uma forte influência na economia, que afeta diretamente e vida de cada cidadão, e por sua vez promove ou se enquadra em movimentos sociais que afetam a política, e segue o ciclo. Não podemos dissociar as implicações complexas que se escondem dentro de mensagens simplistas e rasas. O Brasil é uma nação complexa, com graves de complexos problemas. Mas também é potencialmente um gigante, com um povo extraordinariamente trabalhador e capaz de catapultar de vez a nosso nação a outro patamar. Vamos em frente Brasil.

Até a próxima. 

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