Novamente a Mentira.
Na última edição da Revista Edificar, tratamos de um
tema delicado e muito danoso as corporações, a mentira. Como andei pesquisando
toda a repercussão desta prática nas empresas, seus males e suas terríveis
consequências; resolvi voltar ao assunto.
Não se trata aqui, de uma
tratativa de moralidade pura e simples, e sim uma interpretação necessária a
esta prática que permeia os negócios e a vida. Nossa abordagem foge do
estereótipo conhecido do ruim ou do bom, do certo ou do errado; e adentra em
outro universo; o concebível e o inaceitável.
Acho que a mentira nasceu com a
humanidade, e se aperfeiçoou com os processos da fala, comunicação e
socialização, pois são inúmeros os relatos da prática na história da terra. Não
há um só período que não seja fácil identificar a presença da mentira alterando
os rumos do tempo, criando uma nova história, nascida de uma estória.
Mas estamos no século 21, nos
tempos efêmeros das redes sociais e das mídias de massa volátil, onde tudo se
mede aos milhões e bilhões e a verdade dura segundos, onde cada clique pode
mudar o mundo. Vivemos hoje uma fase muito vaga do tempo, causada em minha
modesta opinião pela própria falta de compromisso das e entre as pessoas. A
individualidade e o egoísmo atingem o cume da realização no ego de cada um, e o
coletivo, bem comum e a verdade, são postas em último plano.
Também vivemos tempos de muita
hipocrisia, palavras são manipuladas para atingir um fim específico, não
importando o mal que isso venha a causar. Em nome de uma verborragia estéril
tudo é verdade e tudo é mentira, o que importa mesmo é gerar conteúdo,
comunicar sem informar, dizer sem explicar.
A mentira também é subterfugio em
guerras, generais e comandantes utilizam a armadilha da mentira para criar
verdades mentais nos inimigos, e assim suplantar dificuldades da traiçoeira
epopeia que nunca, deixa poucos estragos. Marca gerações, altera cursos
políticos, étnicos e sociais, enterra riquezas e distribui sofrimento em escala
gigantesca. A mentira e a guerra são duas entidades profundamente
destruidoras.
Guerras e o mundo empresarial
carregam pontos de ligação em comum, são exércitos de colaboradores empenhados
em conquistar o mercado e consumidores, vencer os concorrentes e em alguns
casos vencer não é suficiente, tem que destruir; e a mentira é como uma moderna
bomba de nêutrons, de efeitos incomensuráveis. É muito conhecida no meio
empresarial uma anedota que contam sobre a fofoca, que nada mais um uma
variante cruel da mentira, onde a transformação de boca em boca da expressão “metido”
de quem se mete, é transformada em demitido, causando grande mal estar entre os
membros da equipe, diminuindo a produtividade, causando medo e desânimo, e no
fim do negro período provocando o pior cenário que um empregado pode imaginar,
que é a demissão.
Mentiras contra concorrentes,
mentira em balanços, mentira em anúncios, mentira em formulação de conteúdo de
produto, mentir entre ser ou não diet ou light, sobre condições de validade de
preços ou promoções. São inúmeros o uso da mentira no meio de comunicação
empresarial, vemos agora a grande mentira da Petrobras sobre a compra de uma
refinaria obsoleta e antiquada na cidade de Passadena, no Texas, Estados
Unidos, onde não se sabe exatamente quanto vai nos custar esta mentira, mas já
passa de bilhões de Reais, e para tentar encobrir a mesma, vem o governo e seus
integrantes a plantar na imprensa, mais e mais mentiras. Citando Alexander
Pope, um dos maiores poetas britânico de todos os tempos, que viveu no século
XVIII: “Aquele que diz uma mentira não sabe a imensa tarefa que assumiu, porque
está obrigado a inventar vinte vezes mais para sustentar a certeza da primeira”


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