Parou Porquê? Porque não se pode viver só de promessas.
Mais uma vez, estamos aqui a
escrever da retórica brasiliana do poder central, de como a vida real que nós
mortais vivenciamos, se distancia do mundo palaciano da cidade planejada nos
planaltos do centro. O pior é que cada dia que se passa, esta distância se
expande, se alarga, fica parecendo miragem (a fala palaciana), enquanto o outro
fica igual a folclore (só quem conhece profundamente pode acreditar), e assim
segue o Brasil, ou melhor; diversos brasis.
Não é fácil ser empresário em
condições tão adversas de pressão e temperatura, pois somos cobrados pelo
desempenho sonhado, mas administramos a realidade de progresso pífio e
insuficiente para fazer nossa economia andar a passos consistentes e fortes. A
carga tributária que beira a insensatez nos espreme contra a formação de
preços, de custos cada vez mais elevados, por uma inflação que insiste em fugir
da meta, da propaganda, do controle. Só há o controle na propaganda
governamental, e isso já cansou; ninguém acredita mais, suspeito eu que mesmos
eles, os apregoadores das notícias fantasiosas são capazes de acreditar.
O famoso custo Brasil é tão
pesado que por si só, seria capaz de afundar muitos outros países pelo mundo,
mas nós resistimos a trancos e barrancos. Como arautos da teimosia; levando a
nossa batalha empresarial de forma heroica, qual soldado entrincheirado que não
lhe resta outra escolha a não ser continuar lutando com as armas que tem, acreditando
na sua capacidade, persistência, resistência, resiliência e na sorte.
Como vocês podem vivenciar a
inflação não dá trégua, e a cada ida a um supermercado, restaurante,
lavanderia, ela pode ser comprovada. O controle de preços oficiais, que incluem
os combustíveis, transportes públicos e por enquanto as tarifas energéticas
seguram o dragão do mal, mas até quando? O governo central não controla seus
gastos, não pratica uma gestão eficiente, nem mesmo diminui a folha de
pagamento, pois segundo levantamentos de organizações não governamentais que
acompanham as contas do governo federal, os cargos comissionados se proliferam
a média de 400 por mês, inaceitável, antes de ser inacreditável.
A distribuição de cotas de poder
entre parlamentares se mostra a cada dia prática odiosa de gestão nacional,
pouquíssimos ganham e toda uma nação perde nesta incompreensível tática de
poder, afinal que delírio seria capaz de convencer um dirigente de que uma
nação pode ser bem governada em cotas de poder, se praticamente toda a sua
população padecerá de algum mal por isso, principalmente os mais pobres e
necessitados das benesses governamentais. O poder corrompe já se sabe, mas no
Brasil o poder corrói, enferruja e quebra. Desmonta assim uma estrutura de
valor e poder que pode levar à frente uma nação, que hoje atolada em seus
próprios lamaçais, apela à propaganda como insumo de crescimento. E nós
empresários e produtores das riquezas distribuídas através dos impostos de toda
espécie só nos resta continuar na nossa batalha campal pela sobrevivência e
manutenção de nossas empresas e dos empregos que elas geram.
Apesar desta enorme contribuição,
alguns nos veem como maus, arrogantes e esbanjadores, desumanos e retrógados,
como se todos fôssemos uma casta maldita, responsáveis pelas agruras por que
passa a nossa nação. Mas isso também nada mais é do que uma prática
divisionista e enfraquecedora implantada vagarosa e silenciosamente pelo estilo
medonho de governar do partido do poder atual; onde claramente apregoa a
discórdia e o medo. Dividir a população para governar por mais tempo, divide classes,
gêneros, instituições e raças, como se a nossa sociedade nunca soubesse se
auto-regular, como se houvéssemos sido até aqui mamolengos da sorte e com a
chegada deles ao poder, a solução havia chegado, e a tudo e todos seria
possível controlar. Não é assim, se no passado já foi, com toda certeza no
futuro não mais será.
A classe empresarial se sente
hoje mais que oprimida, se sente escanteda a um lugar onde só nos atribuem
culpas e responsabilidades, somos uma espécie de remédio que não se usa mais,
onde na verdade somos o antídoto maior de crescimento, distribuição de renta,
geração de riqueza, ocupação territorial, emprego de divisas, construção de
valores éticos e morais, e até mesmo sociais. Somos o Brasil, e isso precisa
ser recuperado imediatamente, para que continuemos a desempenhar com bravura e
orgulho o nosso papel.
Até a próxima.


Certamente, caro Zé, que dentre todas as estratégias clássicas de preservação de poder, dividir para governar seja a mais eficiente. Mas acrescento ainda outro mote, este dito pelo grande Erasmo Carlos sobre outra de nossas características antropológicas: "No Brasil ninguém quer jogar no gol."
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