Pessimismo gera prejuízo?

Para quem acompanha o que escrevo nesta coluna, graças à coragem dos editores desta impressionante EDIFICAR, sabe que não concordo com o jeito que as coisas estão, nem nos negócios, nem na administração, o Brasil não anda às mil maravilhas. Mas passo longe de ser um pessimista; em todos os artigos que me referi contrário ao modus operendi atual, citei exemplos ou ideias de como ser e fazer diferente.
É bem verdade, que lendo um pouco dos grandes pensadores sobre o pessimista, confesso que não é de todo ruim, há bons conselhos, como o do intelectual americano Mark Twain (escritor/autor/humorista. América do Norte. 1835//1910) que avisa “O homem que é pessimista antes dos 50 sabe demasiado; o que é optimista depois não sabe o bastante”. Trago à baila o tema para falar da avalanche pessimista que havia antes da Copa do Mundo de Futebol, e dos possíveis prejuízos causados por esta onda noticiosa.
Antes de acusar os outrora pessimistas de covardes, vamos nos deter um pouco no cenário que tínhamos até então, e que foram os motivos das previsões nada brilhantes para o mundial. Praticamente nenhum estádio estava 100% concluído, as obras de transporte coletivos e adjacentes também, sem contar os aeroportos que até à véspera da abertura trocavam tapumes e pisos. Realmente não se parecia possível. No lado da iniciativa privada, a forte expectativa de presença turística elevava à estratosfera os preços de serviços principalmente em hospedagem e alimentação. Em resumo, não era difícil fazer previsões pessimistas.
Ocorre que o Brasil surpreendeu, a todos, nós brasileiros incluídos. Nem o mais otimista dos tupiniquins previa tanta desenvoltura. Pode ter sido a simpatia de nossa gente, a água, o calor, a beleza de nossas praias ou de nossa população? Não sei explicar por hora. O que sabemos é que o mundial de futebol correu de maneira feliz e com pouquíssimos incidentes. O único acidente real fica por conta de mais uma obra superfaturada e inacabada, não obstante já inaugurada, que desabou ceifando vidas em Belo Horizonte, isto sim é um ponto a não ser esquecido nunca, e que os responsáveis sejam exemplarmente punidos na forma da lei. Lei esta que se fez presente na forma de um policiamento maciço nas ruas, não faltou segurança e a paz foi quebrada apenas pela euforia das torcidas. Com pouquíssimos casos de violência.
No balanço pós-copa, alguns setores reclamam então que o pessimismo anterior impediu um melhor desempenho e que faturamentos ficaram a desejar. É possível que isoladamente este fato tenha ocorrido e que pessoas que originalmente pensavam em visitar o Brasil tenham desistido, por medo da violência ou da falta de estrutura. Mas de minha parte vejo isso como consequência marginal. Afinal ninguém resolve fazer uma viagem internacional do dia para a noite, geralmente há planejamento e poupança para fazer tal empreitada. Mesmo aos países latinos, onde a distância era menor, se faz necessário o mínimo de planejamento.
Eu mesmo tive a oportunidade de estar em três sedes de jogos e posso avaliar de maneira diferente o pessimismo que havia e suas consequências. Nos aeroportos o que vimos foi um grande esforço global para que tudo ocorresse de maneira eficaz e assim aconteceu. Não se falou em aeroportos, o que é a prova inconteste que as coisas foram bem. O que não funcionou bem foram os preços de serviços, inflacionados em até 800% em hospedagem, corridas de táxi, cafezinhos, estacionamentos e em restaurantes em geral. Isso se reflete em recente pesquisa do sítio UOL (link ao final do texto) onde estrangeiros reclamam dos altos preços como o pior da Copa. Se para eles que vivem entre Euros e Dólar estava caro, imagina para os brazucas de cá. Isso é o pessimismo incorporado e depois não adianta falar que sobram quartos, que os restaurantes não estavam cheios e que as lojas de presentes têm estoques encalhados. Isso não é só pessimismo, isto é ganância e burrice ao mesmo tempo, afinal a copa passa, mas a fama de espertalhão fica.

Até a próxima.

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