Brasil. Um país a espera de um milagre.
Não. Nós não somos nada
pragmáticos. Na verdade nunca o fomos. O Brasil é assim, meio frugal, meio
surreal, quase espiritual. Se não fossem tantas amarguras e mau-caratismo, poderíamos
até dizer que éramos a melhor nação do planeta. Nossa atitude mental se assemelha a um eterno
adolescente, que sem a experiência de vida suficiente para identificar o mal
que o ronda, sai por ai a experimentar de tudo um pouco. A questão é que ainda
nos encontramos na adolescência. Não vou me ater ao período entre o
descobrimento e a democracia, pois os livros de história e os de estória contam
de tudo um pouco e você pode até escolher entre um Portugal explorador ou
descobridor, entre um Pedro II herói e preparado ou um tolo manipulado. Até
mesmo um Getúlio Vargas medroso você encontrará nestes livros. A escolha é sua. Mas deixo aqui uma
recomendação, aprenda a história do Brasil e se torne um cidadão mais apto a
criticar, crer e esperar do futuro, a história sempre nos dá pistas claras.
Vou me ater entre a época da redemocratização
aos dias de hoje. Período em que moldamos um caráter de aprendizado democrático
de grande valia cívica, porém de pouco aprendizado histórico; afinal
continuamos a nos comportar como um adolescente. Vamos experimentando entre uma
esperança e outra; das multidões das Diretas Já, de um Tancredo morto por circunstâncias
que vão da teimosia à mentira, e a própria doença é lógico; afogados em um mar
bravo que levou um Ulisses sem deixar pistas, navegamos nas ondas coloridas de
um salvador da pátria e caçador de marajás, que não esteve à altura de nossas
esperanças nem de nossos votos, e se deixou naufragar pela ingovernabilidade de
uma Fiat Elba mal explicada entre tantas outras questões, até chegar a um
inédito e vergonhoso impeachment.
Depois do formal e inepto Itamar,
ganhamos nova esperança com o final da famigerada inflação e da estabilidade econômica,
grande conquista da nação Brasileira, que nos elevou a um patamar de povo
civilizado, proporcionando um novo horizonte. Fazendo o Brasil ser enxergado internacionalmente
como um país finalmente preparado para receber os investimentos, esta conquista
de Fernando Henrique é o maior marco da história moderna do Brasil. Nos
governos do PT houve um grande esforço de expansão da base da população
Brasileira que se beneficiaria desta estabilidade e por muito tempo com
inflação sob controle este ganho foi realmente eficaz. O resto é choro e
lágrima, sorriso e aflição.
Propositalmente não me ative ao
item fé, afinal somos um povo altamente influenciado por crenças e mitos, somos
por natureza da formação cultural afro-indígena-europeia uma miscigenação impar
mundo a fora. Somos movidos à fé. Depositamos no divino (em minúsculo mesmo)
soluções miraculosas aos males de sempre. A pajelança emocional é imensa, e atribuímos,
como nações indígenas, culpas e milagres ao sobrenatural, afinal a queda do
avião foi ou não foi uma obra do divino? Notem que não me refiro à nenhuma
religião, não é isso, me refiro ao uso indiscriminado da espiritualidade de
nossa cultura de povo eternamente adolescente que se aventura nos jogos dos
copos que soletram letras, sem avaliar as consequências do ato, nem as
implicações dos envolvidos. Esperamos que surja do além um fato novo que nos
livre de todo o mal, ou por este mesmo mal, que faça os nossos inimigos
padecerem.
O que me incomoda profundamente
no momento em que atravessamos hoje é esta falta de absoluta de pragmatismo.
Onde vejo muitas pessoas inteligentes, preparadas e bem sucedidas atribui o
fato de um candidato ler a bíblia como um fator de salvação para o Brasil.
Desculpem os que creem desta forma, em candidatos messiânicos, atribuídos a um
deus que manipula a ordem do destino, a salvação do país. Me assusta a
ignorância ignóbil dos iludidos pela ideologia, fazendo cegar o mais iluminado
dos homens, que se nega a ver a luz, mesmo estando no epicentro da estrela. O
que podemos esperar então deste futuro Brasil?
Que os necessitados e menos
afortunados se limitem ao seu universo de dependência ou preguiça eu até posso
aceitar. Mas ao ver homens e mulheres esclarecidos se deixarem levar pela fé cega
ou pela idolatria pagã, isso sim me assusta, e em nenhum caso o futuro nos premiará
com boas paisagens. Que saíamos da adolescência cívica, que sejamos mais
pragmáticos em busca de uma nação melhor, afinal chego a conclusão por mais
conflitante que possa parecer por tudo que penso e escrevi, o Brasil é uma
nação a espera de um milagre.
Até a próxima.

Comentários
Postar um comentário