Visitei um país em crise. 2ª (Segunda) Parte.
Na edição passada, escrevi aqui nesta coluna sobre a minha recente
visita à Espanha, uma página, porém não foi suficiente e retorno ao tema, que
para nossa infelicidade começa a ter mais pontos em comum com no Brasil que
vivemos, afinal não há mais como negar, a maré daqui não está para peixe.
Não há como deixar de enfatizar
que existiu uma convulsão social na Espanha, houve e possivelmente haverá
protestos e conflitos, afinal o governo espanhol não mais consegue ofertar os
mesmos benefícios e condições econômicas de antes de 2008. Mas ao mesmo tempo
em que uma parte da população protesta, outra parte iniciou um caminho de
reconstrução econômica necessária para garantir um futuro melhor.
Aqui um paralelo com o Brasil, dentre os esforços e reduções implementadas
na Espanha, estão o corte de despesas da máquina pública e a diminuição de
benefícios sociais, não foram só cortes de benefícios, mas também a diminuição
da máquina pública e a menor participação do governo central em empresas
privadas. Por aqui temos o contrário, absolutamente o contrário. O governo e
sua máquina incha, e somos donos de muitas empesas que caberiam muito bem nas
mãos da iniciativa privada. A Petrobrás que o diga, e só para acalmar os mais exaltados,
a Espanha já foi dona da Repsol, a França da Elf, e assim vai.
Existe sim uma outra vertente que se faz necessário comparar, é a
infraestrutura. Nas terras da vastidão
do verde, do ouro e das águas (Brasil para os que hesitaram em entender dos versos
da poesia romântica dos tempos do Império) a infraestrutura patina ou desaba
qual estrada esburacada. Portos, aeroportos, estradas, e trilhos não são
suficientes para fazer o Brasil decolar de vez para o crescimento sustentável,
sem contar com nossa legislação, caduca, complexa, ineficiente e corrupta. Já a
Espanha, escolheu recuperar o país reforçando a já boa infraestrutura de lá. Afinal as parcerias públicos privadas são uma
realidade efetiva no país das touradas, enquanto aqui fora poucos exemplos, ainda é um discurso
de campanha vencido.
Uma sociedade justa é base para muitas melhorias, uma sociedade educada
é a chave que abre as portas do futuro, e infelizmente este é um outro paralelo
que se faz necessário traçar entre lá e cá. Vivemos um misto de sensações quando
falamos de justiça, temos algumas ações que sinalizam o bom caminho, porém a
grande maioria dos fatos nos mostra o contrário. Por lá, juízes são respeitados e
reverenciados em público, a suprema corte aprendeu a ser ágil e responder os
anseios do povo. Inclusive com postura clara no acalorado embate de uma
possível separação entre a Catalunha do território espanhol. Escolas públicas
em profusão desde o ensino básico foram preservadas dos cortes do governo,
sendo as de ensino superior as maiores vítimas da tesoura de lá. Uma escolha tinha de ser feita e a educação de base foi mantida.
Aqui não faltam verbas para a educação, mas o tortuosos e corrupto
caminho entre a emenda parlamentar e efetivamente o que irá sobrar para ser
aplicado na ponta ainda é um mistério e um desafio a ser vencido, embora muito
poderá ter sido feito, ainda temos um oceano para atravessar, nossos gestores se
agarram em boias de salvação furadas, se valem de propaganda e de estudos
superficiais para alardear uma melhora, infelizmente é quase tudo mentira. Não podemos nos ater as estatísticas
frias de analfabetismo enquanto muitos que aparecem nestes números simplesmente
são incapazes de ler, fazer operações básicas e nunca conseguiriam interpretar
um texto simples. Simplesmente assinam o nome em uma operação mecânica. Sem
esquecer que o slogan governamental esbarrou de imediato na hora dos anúncios
dos cortes de gastos dos ministérios, a educação foi a maior vítima, menos 7 bilhões de Reais na carteira.
A presença
do estado na vida do cidadão tem de ser menor, mais eficiente e indolor. Hoje
somos vítimas de um estelionato político enorme, muito mais que um estelionato
eleitoral. Vivemos em um país que diz ser uma nação melhor que a Espanha,
quando na verdade ainda somos um Brasil que nos entristece.
Até a próxima.

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