Quanto vale o futuro?

Tenho tido uma oportunidade única em poder escrever aqui na Edificar as minhas impressões, opiniões e alguns poucos conselhos sobre gestão e negócios, o meu agradecimento é imenso pelo espaço e pelo respeito à estas opiniões. Recentemente revisitando antigas colunas, me dei conta que tratamos no passado dos dias de hoje. E é sobre esta possibilidade de quantificar o valor de decisões que afetam o futuro que vamos tratar neste texto.
A recente inauguração da fábrica de automóveis em Pernambuco, na vizinha Goiana, me fez rever duas colunas onde eu tratei com o título “Eu quero a minha montadora” e depois “Já não somos mais os mesmos”; das oportunidades, possibilidade e previsões que beneficiariam a economia de nosso estado, se algumas medidas fossem tomadas. O tempo tem passado rápido neste século, e hoje já é o tratado “futuro” daquelas linhas. Para a nossa tristeza, não vieram carros populares de 30 mil Reais, e sim auto leves, os SUV de mais de 70 mil, sem o prejuízo do volume total da unidade fabril, que pode chegar a fantásticos 250 mil veículos por ano. Um investimento anunciado pela montadora de mais de 7 bilhões de Reais, um pouco mais do que foi desviado pela corrupção da Petrobras, mas isso é outro assunto.
Não conheço o que nosso estado, ou municípios prepararam para se beneficiar deste verdadeiro derrame de riqueza que se avizinhou; não fosse a melhor qualidade de vida de nossa capital, que atraiu moradores mais endinheirados empregados desta fábrica, em nada seríamos beneficiados. Não, eu não previ naquela ocasião que hoje estaríamos atravessando uma fortíssima crise econômica e de credibilidade; o que eleva a um patamar estratosférico a quantificação do valor do futuro, pelas inúmeras oportunidades perdidas.  Em nada encontramos a Paraíba neste mapa, não produzimos escolas técnicas para formar mão de obra qualificada, não atraímos empresas que seriam agregadas às já instaladas no polo fabril, não atraímos as empresas de logística, nada de cadeia de fornecedores, nada. Agora me digam; quanto valeria para nosso estado, caso estivéssemos preparados para atrair estas outras oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento? Vou responder na linguagem que se entende muito bem em nosso estado, muitos milhares de votos. Então imaginem, se nem isso atraiu os administradores, o que mais poderia atrair. Mas ainda nos resta esperanças, quem sabe algum visgo de atitude nasce desta terra das acácias e possamos fazer algo, deixo a dica; a cadeia logística incluindo as empresas de transporte dos automóveis busca loucamente por instalações nas proximidade do novo polo industrial.  Em resumo o futuro vale uma fortuna, e pode até custar pouco se for preparado.
Em outras colunas tratei da mentira; com destaque para “Novamente a mentira” e “Um país a espera de um milagre”; o foco nestes textos foi a mentira estratificada como ferramenta de gestão e manipulação de informação e índices econômicos e sociais. Nestes a crise já era possível ser prevista, e estava lá o aviso, se não mudar e tratar o futuro com mais seriedade e transparência, seremos vítimas fáceis de todas estas mentiras. Referia-me claramente as inúmeras deturpações da verdade que o nosso governo central insistia, e ainda insiste, em tratar de nossos gravíssimos problemas. Com capacidade zero de fazer uma reflexão interna de seus erros, escolheu a mentira e manipulação como instrumentos para enfrentar nossas questões mais urgentes, sempre atribuindo a terceiros nossas mazelas, e prevendo erroneamente um futuro de dias melhores. Estes erros e conjunto inacreditável de decisões errôneas nos levaram a uma situação de fragilidade econômica, social e institucional nunca vistas em nossa história. E tudo isso por conta da mentira. Aqui o futuro custava mais, mas também custava uma eleição, os governantes ávidos de poder e riqueza optaram por leiloar nosso futuro, foram às eleições, ficamos com o futuro extremamente comprometido, desconstruindo a frágil realidade de uma população que nada mais foi do que massa de manipulação e vítimas de mentiras. Mentiras estas que contadas tantas vezes fizeram os lunáticos governantes acreditarem, tal qual fanáticos, vivemos hoje o futuro que a mentira proporcionou. Este futuro nos custa esperança; incalculável tal qual a dignidade da nação. Este futuro nos custa empregos, escolaridade, saúde e segurança em níveis vergonhosos.
Por fim, se quisermos seguir a risca a citação de William Shakespeare “Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser.” , que sejamos então o melhor que possamos ser hoje.

Até a próxima.

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