2015 O ano que não deveria ter sido
Calma,
não sou eu quem se despede, é o ano de 2015, ou como dirão alguns no futuro “O
ano que não deveria ter sido”. E isso não é pouco. Ouso fugir do tema desta
coluna de negócios para pautar o doloroso cotidiano do povo brasileiro.
Escrevo
a poucos dias do incomensurável desastre ambiental de Mariana (MG), onde uma
grande barragem de rejeitos químicos da mineradora SAMARCO (Vale do Rio Doce –
Vale – e a Billiton – BHP Billiton) ruiu; provocando uma enxurrada de bilhões
de litros de lama tóxica, ceifando vidas e praticamente extinguindo a vida por
muitos e muitos quilômetros de devastação por onde esta hecatombe passou. Nada
foi poupado, de pequenos vilarejos até grandes cidades, todas ligadas pela
bacia do Rio Doce (o nome não poderia ser mais injusto à ocasião).
Até
o momento que escrevo, o total desleixo e despreparo dos governantes me deixa
atônito, pois como pode haver tamanho desrespeito com a vida dos que se foram
(ainda não totalmente calculado) e com os que ficaram e perderam tudo? Desde a
dignidade até a esperança, quiçá não tenham perdido à fé.
Não
pode existir imagem mais marcante que esta em nosso território e poderíamos até
cunhar uma manchete; “Governos atônitos, perdidos, inoperantes, inexistentes,
deixam seu povo afundar em um mar de lama”.
Poderia
acabar o texto por aqui, já encharcado de tanta dor e sofrimento, porém ainda
temos mais, e não é pouco. Em uma nação mergulhada pela onda sem fim de
escândalos de corrupção de mensuração gigantesca, com personagens da mais alta
importância econômica e política da nação; presos, detidos, investigados e
acusados; nos tornamos reféns do medo, vivemos dias de profunda angústia
cívica, talvez nunca igualados pelo nosso passado republicano, aqui também
poderíamos cunhar uma outra manchete; “ Nação brasileira perdida de esperanças
clama por justiça”. Realmente 2015 não será esquecido facilmente.
Como
se não bastasse tanto sofrer, convivemos com a volta do dragão inflacionário, o
fantasma perverso do desemprego e a economia que insiste em derreter perante
tanto descompasso entre as decisões governamentais (ou a falta delas) e as
necessidades prementes da economia real. A arrecadação federal definha e tudo
que nossos políticos fazem, é uma luta ferrenha para permanecer no poder.
Nosso
outrora bastião do progresso, a Petrobras, mergulhada no maior escândalo de
corrupção de uma empresa na história da humanidade, isso mesmo do mundo, de
todos os tempos; rasteja para se reerguer, mas aqui também seguimos na
contramão, já que o preço do petróleo cai sem parar nas cotações mundiais; e
não há sinais de que haverá recuperação destes preços em breve.
Quando
expandimos nosso olhar para outras fronteiras, nos deparamos com nações em
guerra declarada, e mais grave ainda, guerras santas não declaradas que fazem
vítimas aos milhares. Se repetem tragédias de aviões derrubados por bombas
(ainda não comprovadas no caso do avião Russo que caiu sem deixar vidas no
Egito), e os horrendos e covardes atentados em Paris. Tudo em nome de uma
cegueira religiosa medonha, burra, surda e cega; instalada no coração do
continente europeu, como se viesse cobrar uma conta de sangue e mortes sem fim.
Não restam dúvidas, a paz mundial sofreu forte abalo. Também não há mais
dúvidas, 2015 não será esquecido.
Sou
uma voz otimista em meio a tantas duvidosas, mas não posso me enquadrar como
omisso da dura realidade que atravessamos. Como escrevi em outra coluna
recente, arregaço diariamente as mangas para buscar sem cessar uma melhor
solução para os desafios que encontro como empresário. Desempenho dentro das
organizações que faço parte o papel crucial de oxigenar as almas no caminho
duro que temos que enfrentar; mas não posso esquecer do tamanho da dor que nos
aflige e continuar alerta para que esta dor não seja maior que a forte
esperança que sinto pelo Brasil, de um dia, em um futuro breve ser uma nação
melhor e mais próspera do que é hoje. O nosso trabalho é de verdadeiras formigas,
à juntar grãos de ânimo no deserto de poeira dos dias atuais. Mas não podemos
baixar a cabeça para estes enormes desafios, podemos baixar unicamente para
pedir forças do altíssimo a fim de continuarmos com a lida diária em busca de
soluções e esperança.
Até
a próxima.
José
Carneiro de Carvalho Neto.

Comentários
Postar um comentário