Corrida de Obstáculos
E tempos de Jogos Olímpicos, é
inevitável não usar os nomes das provas em uma analogia com nossa vida civil. A
sociedade brasileira tem enfrentado uma verdadeira maratona para se ver livre
desta horrenda crise que nos abate, política, social, mas principalmente moral.
Hoje o setor produtivo brasileiro
desafia a lógica, em fazer milagres para sobreviver nesta selva de impostos,
corrupção, ineficiência, burocracia e falta de infraestrutura para desempenhar
a sua melhor performance. É bem verdade
que muito ainda precisa ser feito dentro das empresas para melhorar a
eficiência em processos e capacitação interna, e assim evoluir nas pistas da
competição do livre mercado, sem as melhoras internas, essa missão nos parece
um tiro com poucas chances de atingir o alvo.
Ao iniciar um negócio no Brasil,
um empresário se coloca em posição de extrema vulnerabilidade pois desafia
adversários que não jogam nas mesmas regras, a começar pelo governo, com a sua
insana e complexa carga tributária. Passamos para a Justiça do Trabalho, tão
brasileira quanto a jabuticaba, e tão ineficiente quanto os inúmeros processos
falsos e forjados em sua carteira de julgamentos. Soma-se a tudo isso a
ineficiência dos processos administrativos a que estamos obrigados a cumprir
nas prefeituras e secretarias dos estados e municípios, as inúmeras licenças,
de bombeiro, do meio-ambiente, do certificado digital, do registro de máquinas
de cartão de crédito e emissores de documentos legais, essa lista é
praticamente infindável. Não posso deixar de pensar em uma maratona, onde um
padre Irlandês, aparece para tirar a medalha de ouro de nosso atleta que
folgava na liderança.
As discrepâncias são imensas, tal
qual um judoca que tem que enfrentar um adversário com o dobro de seu peso,
nós, empresários nos aventuramos nas arenas do mercado em busca de apoio e
crédito, sem sucesso, pois os agentes financeiros só nos vêm como um problema,
e nunca como um parceiro de fomento e desenvolvimento. Fica até fácil para que
os críticos afirmem que o empresariado brasileiro gosta de subsídios de bancos
públicos (vimos neste quesito em particular que somente os amigos tinham acesso
ilimitado a este tipo de benesse); mas afirmo aqui, o que queremos mesmo é
simplicidade, e liberdade para corremos todas as provas de disputa que nossa
empresa estiver capacitada para fazê-lo.
O sonho de empreender, se
assemelha em certo momento, ao sonho da medalha olímpica, tudo começa com um
desejo, e se materializa através do planejamento e no trabalho incansável pela
busca de soluções que nos permitam realizar o sonho de ser um empresário de
sucesso no Brasil. Assim como o almejado pódio olímpico, o sucesso empresarial
é uma conquista árdua, difícil e muitas das vezes só alcançável com muita
persistência e tenacidade, daí acho que tiraram o bordão popular que o
Brasileiro não desiste nunca. Nem pode, pois, a desistência só lhe deixará marcas
profundas na sua alma e na sua conta bancária, neste ponto não há auxílio nem
resgate da prova, para a sociedade você será simplesmente um perdedor.
Em dados publicados pela internet
mostram que uma nova empresa no Brasil, em média morre antes do quarto ano, e
apenas vinte por cento dos iniciantes passam deste período, é assustador, na
prática se uma empresa fosse aberta em ano olímpico, a grande maioria não viria
como empresário a próxima jornada mundial do esporte. Coisas da competição
absurda na inciativa privada, ou coisas da dura realidade que é empreender no
Brasil? Com vocês a resposta, pois cada um tem um ponto de vista, mas ousaria
dizer que em tempos de competição global e tecnológica, empreender
especialmente no Brasil é coisa de campeão mundial, tantos são os obstáculos
que precisam ser vencidos.
Para encerrar, vou ao lado da mão
de obra disponível no mercado. O normal é que os bons estejam sempre
empregados, isso é certo, sobrariam os menos bons e os “outros”. Aqui acho o
problema é que temos um excesso de quantidade de “outros” que não tiveram ou
não puderam ter a devida qualificação. Sendo por fim, esta a outra faceta do
empreendedor que é formar mão de obra qualificada.
Torçamos pelo Brasil. Para que
nossa nação tão carente de conquistas possa alcançar o ouro de desempenho e da
desregulamentação. Chega do governo meter o dedo em tudo, chega de tantas
barreiras e entraves, por favor, acabem de uma vez por todas com esta
infindável corrida com obstáculos.
Até a próxima,

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