2016, já vai tarde
Paira pelas redes sociais nestes
tempos, uma pergunta que diz mais ou menos assim. Defina o ano de 2016 com três
palavras. Eu teria muita dificuldade em responder esta pergunta, pois um ano
intenso como foi este 2016 é simplesmente impossível de circunscrever na
extensão de apenas três palavras.
Salvo os brincalhões de plantão,
que vão usar jargões tradicionais da prosopopeia nacional, qualquer pessoa em
sã consciência terá dificuldade similar.
Ano de forte e constante
movimentação popular, ainda não acabou, que culminou no impedimento da então
presidente Dilma, só para ficar neste tema no campo político. A operação Lava
Jato que não para de colocar nas grades gente graúda, e atormenta o sono de
muita gente mais graúda ainda. Não nos deixa esquecer nem por uma noite, que há
algo de concreto e de novo acontecendo nas terras onde cantam o sabiá.
As Olimpíadas do Rio de Janeiro
foram um sopro de sucesso em um país acostumado a retumbantes fracassos nos
últimos anos, o mundo se rendeu a um esforço enorme de uma país buscando
desesperadamente se redescobrir. E nossa gente é assim mesmo, teimosa, emotiva,
ainda vacilante em certas horas, mas como diz o jargão popular, brasileiro não
desiste nunca. O que vimos no Rio de Janeiro em agosto deste ano foi em suma
uma enorme prova de superação de todas as expectativas adversas.
As novidades, por assim dizer,
transformaram todo o ano em um carrossel de emoções, a mesmice e a monotonia
não tiveram um dia sequer de chance de aparecer por aqui. A adrenalina e o
turbilhão de emoções nos seguiram por todos os dias. E não foi só no Brasil, o
mundo viu estupefato a vitória do controverso Donald Trump na maior nação
capitalista do globo, e as incógnitas se instalaram de vez por todas nas
cabeças e nas calculadoras do mundo. O que será que iremos enfrentar com este
topetudo no poder? O futuro nos dirá.
Por aqui também temos nosso
personagem de comando, nosso presidente tem repetidamente refugado as
oportunidades de se impor diante dos desafios, apesar da imensa torcida pelos
acertos, estes ainda são tímidos e fazem nossa nação patinar. Mas pessoalmente
não reputo ao atual presidente todas as nossas mazelas. O Brasil carece de uma
organização minimamente decente que permita que as instituições se movam em
direção do justo, do certo, do bom e do progresso, nossa nação está quase que
totalmente paralisada pela dicotomia dos poderes, pela guerra surda pelo bastão
da ordem, pela incansável disputa para o escapamento do ilegal. Chega a ser
absurdo a forma suja e sub-reptícia que esta guerra se trava. Não há porto
seguro, não há sequer uma referência pública decente, capaz de absorver as mais
puras e simples demandas de nossa gente. Corroídos pelo fel do rancor e do
ódio, os nossos senhores políticos trocam acusações como se houvesse saída
limpa para cada um deles. A quem pretendem enganar? Os incautos desaparecem a
cada instante, e quase todo o Brasil já não tem tolas esperanças em políticos.
A justiça, cada vez mais presente em nossa vida diária, já sinaliza que esta
anomalia por si só já denota atenção, porém como seus egos inflados não cabem
em suas vestimentas negras, nada enxergam das verdadeiras necessidades e
expectativas da gente comum do Brasil.
O ponto é, o Brasil não anda, não progride, a economia
não dá sinais de respirar, e os aparelhos que mantém nossa sofrível atividade
econômica não têm vida longa. A soma dos desastres é maior do que a quantidade
de botes salva vidas, e precisamos necessariamente de fatos determinantes que
mudem a curva da atividade para progredir e sair deste marasmo catastrófico que
estamos embutidos, fruto de tantos e tantos desmandos, roubos, desvios,
corrupções, mentiras e muita, muita irresponsabilidade.
Como se nosso povo não tivesse
sofrido o suficiente no enorme grupo de 12 milhões de desempregados oficiais,
25 milhões de subempregados e mais outros tantos milhões que simplesmente não
procuram trabalho; causando dor, medo e apreensão. Nossa gente recebe este
último golpe do aparente assassinato de toda uma equipe de futebol, nas mãos de
um piloto completamente irresponsável nos faz desenhar um inexorável paralelo
onde um homem causou comoção, tristeza e dor à toda uma nação.
Vá 2016, vá embora, pois seu tempo aqui já
causou estrago demais.

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