Erro de Cálculo. Serei didático


O ano de 2016 já é história, triste e confusa é bem verdade, e como já tem muita gente tratando deste tema, vou passar para um menos geral, e bem paraibano.

No último mês de novembro, o mercado automotivo da Paraíba foi tomado de assalto por uma decisão administrativa do Detran-PB e do Governo do Estado; no momento em que colocaram em prática uma decisão tomada no ano anterior. Não estamos aqui julgando a decisão, mas iremos mostrar, didaticamente que esta escolha nos gerou um enorme prejuízo, e quando eu digo “nós” não me refiro ao setor automotivo e sim a todos os paraibanos, sua economia e sua estrutura administrativo social.

O mérito da decisão será julgado a seu tempo, e aqui vou mostrar o grande erro de cálculo na tomada desta decisão. Somos pouco mais de 90 lojas de concessionárias autorizados por fábricas, espalhados de Cabedelo à Cajazeiras, sem contar os mais de 400 lojistas de veículos usados de todas as espécies, automóveis, caminhões e motocicletas, principalmente.

Foram 22 dias sem concluir a venda de veículos, caminhões e motocicletas financiados, novos e usados, uma verdadeira hecatombe em nossa já combalida economia, os prejuízos são muito difíceis de calcular, mas o que deixou de circular na Paraíba ultrapassa um pouco os 200 milhões de Reais, sendo que aproximadamente 10 milhões, são de impostos diretos nos cofres da Paraíba. Isso se mensura, o mais grave e muito mais grave é o que não se mensura.

Em novembro de 2016, o mercado nacional de automóveis experimentou depois de 16 meses de queda um crescimento, e não foi marginal, foi significativo. O aumento foi de aproximadamente 12%, enquanto aqui tivemos números terríveis, todos disponíveis ao público no endereço eletrônico da FENABRAVE, entidade máxima que regula as relações entre concessionárias e montadoras, em www.fenabrave.org.br . No acumulado do ano, temos um total de 21.343 emplacamentos de 0km, é menos 6,38% que em 2015 no mesmo período. Já era ruim, vai ficar pior com os números a seguir; quando comparo o mês de novembro com o de outubro de 2016, onde o Brasil cresceu 12% a Paraíba perdeu 24,45%, ou seja, o Brasil andou em direção da recuperação um passo, e além de não dar este passo na direção certa, demos dois passos no retrocesso, nós perdemos além de deixar de ganhar; pois são coisas diferentes. Mas o pior vem agora, na Paraíba, o mês de novembro é historicamente melhor que dezembro, já é assim a mais de uma década (salvo um único ano com a política do IPI sobre automóveis), e quando comparamos, portanto, novembro de 2016 com novembro de 2015 a perda é de assustadores 61,43%. A pergunta é inevitável, qual atividade econômica suporta uma perda de quase 62% e permanece plena em sua saúde financeira? Com a respostas as autoridades que tomaram esta decisão. Só nos resta lamentar profundamente o enorme erro de cálculo pelo erro, o nome disso é erro, não dá para chamar de outra coisa.

Não satisfeito com o enorme desastre, fui pesquisar uma curiosidade que me atormentava; como temos em nosso estado alguns grupos de concessionários que são filiais de outros estados, ou têm filiais em outros estados, pedi ao departamento de inteligência de mercado da FENABRAVE que identificasse quantos veículos haviam sido emplacados na Paraíba em novembro de 2016 com notas fiscais de outros estados, e o desastre tomou outras medidas ainda mais dramáticas.

Dos 1.240 veículos 0km emplacados na Paraíba em novembro de 2016, 353 foram de vendas diretas (com menor ou até nenhum recolhimento de ICMS para o estado), ou seja 28,45% são vendas diretas com baixa remuneração para a rede de concessionários e para o IICMS do estado. Dos 887 veículos restantes, a Bahia emitiu 66 notas fiscais, Pernambuco 12, Rio Grande do Norte 6, e apenas uma nota fiscal de São Paulo; ficamos então com 802 verdadeiramente emitidas na Paraíba. É bom esclarecer que se estas notas fiscais forem emitidas ao consumidor final e for pessoa física, a chance de recolhimento de ICMS (o imposto sobre circulação de mercadorias) é quase nula.  As perdas só se multiplicam. Se contarmos as taxas e impostos do Detran que deixaram de ser recolhidas, as perdas para o estado aumentam ainda mais. Foi ou não foi um erro de cálculo.

No momento que a visão do todo foi substituída na concentração de um problema, o diálogo se perdeu e pior, toda a Paraíba perdeu.

Particularmente, tenho usado 2016 como ano de aprendizado e aperfeiçoamento, fico aqui torcendo que outros façam o mesmo, e nunca mais, nunca mais repitam um erro desta magnitude.
Feliz 2017.

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