Um Brasileiro na China 2ª parte.
Um Brasileiro na China. 2ª Parte.
Vamos continuar nosso relato sobre a grata
oportunidade de visitar a China, mas agora com um outro olhar, uma leitura mais
pragmática, voltada a algumas observações de aprendizado que podemos entender
porque a China é um gigante que se prepara para tomar a liderança mundial na
economia em algum momento no futuro.
Em contato com nosso interlocutor chinês, na
cidade de Zhuhai, província de Guangdong, no sul da China, de que a educação
ainda é o grande desafio para a China crescer, ele não me falou de estatísticas,
mas disse, que a mão-de-obra ainda precisa ser melhor preparada, sendo que o
ensino médio é a saída escolhida para propiciar à esta enorme nação o seu
progresso intelectual e material; assim, nesta ordem, e o ensino técnico têm
enfrentado crescimento de vagas e de ofertas de profissões. Disse ainda que os
funcionários da pujante e já relevante construção civil chinesa, estão sendo
preparados para operar cada vez mais, enormes máquinas, tratores, guindastes e
muitos instrumentos, como exemplo a China é o maior operador de gruas em
construção no mundo. E para encerrar o tema educação, a China tem se tornado o
grande exportador de alunos de graduação e pós-graduação para as universidades
mundo afora; ou seja, na base até o ensino médio, expansão; formação técnica
como preparo à produção, e a busca da criação da cultura acadêmica aprimorada
nas universidades mais famosas do globo.
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi uma cena
que presenciei em Hong Kong, ao me dirigir a uma loja de eletrônicos que ainda
não estava aberta, este pequeno roteiro que passo aqui o relato me deixou
alerta, estamos muito distantes da consciência e do respeito ao trabalho e a
produção, e fica claro, com educação e com a cultura que eles cultivam e respeitam,
somadas à enorme força de trabalho, mercado consumidor inigualável, não tem
erro, a China será um gigante sem igual. Mas vamos ao relato.
Cheguei uns 15 minutos antes do horário de
abertura da loja de eletrônicos, e presenciei um verdadeiro ritual de respeito
ao trabalho e ao ambiente de trabalho. Desde o primeiro funcionário que chegou,
que me pareceu ser o gerente, até o momento de abertura da loja, praticamente
todos os funcionários fizeram uma espécie de pequena reverência ao entrar no
estabelecimento. Pela vidraça via o movimento independente e firme de cada um
deles, nos preparativos diversos para a abertura da empresa ao público, que já
se aglomerava em pequena quantidade, pacientemente do lado de fora. Minutos
antes da hora prevista, às 10h000 da manhã, o gerente reúne a equipe, todos
ficam em silêncio, baixam as cabeças por breves instantes, e trocam algumas
palavras depois, encerrando a reunião com uma espécie de grito de guerra, que
eu não tenho ideia do que gritaram, afinal nada sei de mandarim. Na hora prevista, as portas que já se
encontravam destravadas, teve o aviso de “aberto” fixado na entrada principal e
todos entraram. No meu caso levei pouco menos de 10 minutos para sair de lá com
o produto desejado em mãos. Tudo rápido e direto, sem luxo mais com muita
eficiência.
Ao voar pela Air-China, companhia aérea oficial
do país, me deparo com um inusitado agradecimento por parte dos comissários de
voo ao final do trecho Zhuhai e Pequim, fiz o trecho Hong Kong à Zhuhai de
aerobarco; em mesagem direta de agradecimento pela escolha da empresa, similar
ao que ouvimos aqui no Brasil, vem uma explicação complementar por parte dos
comissário, que diz mais ou mesos assim; ”... ao escolher a Air-China você nos
dá oportunidade de lhe servir, e assim termos nossos empregos. Esperamos lhe
encontrar em seu próximo voo...”
Com estes exemplos vimos que mesmo com pleno
emprego, a cultura de respeito ao trabalho, orgulho pelo ambiente de trabalho e
pela empresa que se trabalha, faz parte da base da cultura do trabalhador e do emprego
na China. Para uma país que não tem leis trabalhistas, temos aqui lições a
aprender, se formos eficientes e humildes em entender e mudar nosso futuro,
poderemos compartilhar com eles, um lugar no futuro dos gigantes do mundo.
Até a próxima
José
Carneiro de Carvalho neto.

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