O que comemorar no Dia do trabalho?
Caros leitores, ainda não tenho
bola de cristal para saber do resultado de toda esta movimentação que terá
ocorrido nas já tradicionais manifestações do dia do trabalho. Mas vou aqui
fazer uma provocação, que vai incomodar a muitos; a quem interessa comemorar o dia
do trabalho?
Acho engraçado que o foco das
discussões seja unicamente o trabalhador, não que este não mereça todo o
respeito e atenção, mas ele não é o único envolvido na cadeia do trabalho. Afinal,
só existe um trabalho, porque existiu anteriormente quem o atribuísse. E isso
cabe invariavelmente a iniciativa privada e aos governos em sua grande maioria,
ficando os trabalhos assistenciais e autônomos logo depois.
Em tempos cinzentos de crise moral, ética,
política e econômica em que vivemos, lançar uma provocação desta é quase um
sacrilégio. E vou começar por esta parte. O sacrilégio da igreja católica em
emitir opinião sobre o trabalho no Brasil, como se ainda fôssemos a nação escravocrata,
lei esta que foi abolida em fins do século XIX (1888), porém historicamente há
relatos que o Brasil só se viu livre desta terrível mazela, muitos anos depois.
Acorda igreja! Estamos no século XXI, onde mundo a fora as relações de emprego
são cada vez mais flexíveis, onde o local de trabalho é cada vez mais variado, incluindo
o chamado “house working” e em muitos
dos casos, não há supervisão ou vigilância; quem quer se dar bem, produz mais e
ganha mais, simples assim. Definitivamente, precisamos nos libertar de tantos
tutores que insistem em atrasar o Brasil. Me impressiona ainda mais que esta
mesma igreja não emita nem uma vírgula de opinião acerca da gravíssima crise
que nos assola, dos bilhões roubados do povo brasileiro, que levou oficialmente
a existir mais de 13 (treze, o número quase cabalístico atualmente no Brasil)
milhões de desempregados. Onde estava esta mesma igreja?
Mudamos de endereço, vamos ao
congresso nacional, onde centenas de políticos, que deveriam defender estes
mesmos 13 milhões de desempregados, mais os outros tantos milhões de
empregados, se acovardam e não enfrentam o problema de frente, efetivando uma
reforma nas leis trabalhistas, antiquadas, retrógradas e maléficas a nação.
Falo à nação, e não somente ao trabalhador. É muito bonitinho ouvir o já
cansado discurso dos líderes das classes trabalhadoras (sic) sobre perdas de
direitos, e etc. Ora, se não há empregos, o que se perde mesmo é a dignidade do
emprego, e não o pretenso direito que não tem como existir. Infelizmente
geralmente os donos destes falatórios nunca empregaram ninguém, nunca foram
responsáveis por nenhum emprego, ou por gerar condições para que isso ocorra.
Modernizar as relações é necessário, assim como estes mesmos defendem que se
tem que modernizar as cabeças quanto ao famigerado discurso de gênero, e ao
pornográfico e leviano, ensino partidarizado nas escolas públicas, do maternal
à universidade; isso pode modernizar, as relações trabalhistas não. Modernizem
suas cabeças, não me façam chamá-los de hipócritas, é uma palavra muito dura.
A estrutura inflada e
protecionista que permeia toda a cadeia do emprego no Brasil, é tão nociva,
quanto uma praga bíblica; somente os escolhidos escaparão, e aqui você pode
incluir os escolhidos que vão deste os sindicatos, passando pelos protegidos
das CIPAS, até os funcionários instalados nos tribunais, que julgam cada vez
mais e mais o empregador como o satanás maldito, e o empregado, como o cândido
anjinho indefeso. Até que dia teremos que tolerar esta generalização de estereótipos?
Os ruins têm que pagar pelos seus crimes, ambos os lados, os maus empresários e
os maus funcionários, a lei tem que ser feita, porém com o aparelhamento dos
agentes públicos desta cadeia, o empregador está invariavelmente fadado ao
ônus. Invariavelmente. Pipocam casos e mais caos nos tribunais Brasil a fora, e
nada é feito. Mesmo que um empresário venha a “ganhar” uma ação trabalhista, o
que por si só é raríssimo, esta contenda lhe custará alguns mil reais, e assim vai-se
pagando o custo Brasil para gerar empregos.
Ninguém do lado dos empregados se
atreve a fazer esta interpretação, vai logo em disparada dizendo que não se
pode perder direitos, se esquece que simplesmente pode não haver em um futuro
muito próximo, o emprego, e inevitavelmente, sem o emprego, o belo e eloquente
discurso do sindicalista vai por água a baixo. Mas me desculpem mais uma vez a
franqueza, hoje não vejo que tenhamos líderes dos trabalhadores capazes de pensar
neles, os trabalhadores.
Me despeço com uma lembrança
ruim. Já estou começando a ficar com saudades das reverências dos trabalhadores
chineses aos seus empregos, e deixo aqui a frase que ouvi na Air-China, ”... ao escolher a
Air-China você nos dá oportunidade de lhe servir, e assim termos nossos
empregos. Esperamos lhe encontrar em seu próximo voo...”.
Até breve.
José Carneiro de Carvalho Neto.

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