Decisão Digital


O mundo atravessa por momentos que estão passando muito rápido, são inúmeras mudanças, de todos os tipos, são mudanças de comportamento tão profundas que vão mudar nossas vidas de forma capitular.

Veja por exemplo o que está ocorrendo com o comportamento do consumidor na compra dos automóveis mundo a fora e agora também no Brasil.

A experiência de comprar carros está mudando, e para melhor, consumidores querem mudança, e buscam mudança em muitos sentidos, nas pesquisas, nas opiniões e avaliações e no atendimento, mas será que tem uma mudança de verdade aqui?  A resposta é sim, o canal utilizado para fazer este trajeto é quase todo virtual, ou melhor digital.

Separados por uma fina camada quase imperceptível, o real e o digital convivem em uma espécie de mundo paralelo, a interação entre a tela do computador, tablete ou smartfone se sobrepõe a interação com o vendedor. E esta mudança está afetando muito o resultado desta tradicional jornada, e isso é uma via de mão dupla, as empresas também começam a mudar a maneira de buscar e captar o cliente, mesmo que este novo universo ainda seja muito confuso, tal um vôo em tempo nublado, está ocorrendo hoje, e será o padrão amanhã. Em resumo, um jogo que ainda tem muito a se aprender.



Tomamos por exemplo o estrondoso sucesso do lançamento do Renault Kwid, o novo compacto da marca francesa no Brasil, cujo único canal de vendas possível foi e é a internet. Um produto atraente, com condições comerciais interessantes, mas principalmente, com o consumidor assumindo o papel de protagonista da história, foram mais de 10 mil reservas on-line, o que obrigou a montadora instalada no Paraná, a efetivar o terceiro turno de produção, em plena crise do varejo automotivo.



Esta mudança de cenário pode ser melhor entendido neste trecho de artigo recentemente publicado pela Automotive News de 11 de dezembro último: 



“As revendedoras estão no volante desde o início, dirigindo o processo de compra de carros. No entanto, os compradores de carros da atualidade, conectados e envolvidos, estão procurando uma experiência melhor, uma em que possam dirigir do conforto do seu sofá ou de onde quer que estejam conectados.



O ano de 2018 será aquele em que a indústria automobilística embarcará na próxima fase da internet — uma experiência de revenda completamente conectada que melhora a compra de carros tanto para o consumidor quanto para a revendedora. Compradores de carros vêm comprando pela internet há anos, coletando informações e buscando alternativas. Nos últimos anos, os consumidores têm conseguido solicitar crédito, estimar o valor de recompra e chegar a um valor justo de mercado de veículos novos ou usados.



Agora, com a vinda de novas ferramentas, os compradores serão capazes de estruturar seu negócio com mensalidades reais (incluindo preço, impostos, taxas, incentivos e valor de recompra), entender e comprar produtos financeiros e de seguro, dar uma entrada pela internet para reservar o veículo, agendar um test-drive e receber a entrega.”



Este cenário descrito acima deixa claro que estamos no limiar da mudança, mas isso não é tudo, pois se tivéssemos uma estrutura tributária e de logística mais simples e justa, nosso varejo digital seria muito mais pujante.

A propósito, é melhor começar a se acostumar com a exclusão da palavra digital deste tipo de análise, pois este caminho é sem volta, e o que hoje pode parecer um tipo de busca e escolha diferente, será na verdade o varejo de amanhã, e não teremos mais consumidor de origem física ou de origem digital, será tudo um só caminho para se percorrer, e o digital estará definitivamente incorporado em nossas vidas.

Até a próxima.

José Carneiro de Carvalho Neto

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