Depois da Tempestade
Acredito piamente na capacidade
do empresariado brasileiro, principalmente no caso da menor intervenção
estatal, mas para que isso venha a ocorrer ainda há uma enorme caminhada a ser
feita.
Nossos empresários são uma
mistura de super-heróis com mágicos e palhaços, todos os estereótipos juntos, o
que muda é o percentual desta mistura; afinal não se faz uma história de
sucesso empresarial sem percalços duríssimos, decisões heroicas e arriscadas,
uma pitada de bom humor, e muita, muita habilidade para se safar com o menor
estrago possível da perversa malha fiscal, lega e tributária, que permeia e
existência de nossas empresas.
Historicamente o Brasil mudou na
última metade de século 20 e no início do século 21 para um lugar mais fechado, ou mais confuso. Com
muitas leis, mal regulamentado, que provoca muita insegurança nos investidores,
nosso pais não é uma referência para o empreendedor ou para o investidor
operacional (o contrário de um investidor em títulos e ações). Se antes nós não
conseguíamos atrair investidores pois erámos fechados demais, hoje nossa
economia é tão mal regulamentada que é praticamente proibitivo ter sucesso em
áreas onde o risco de exploração ou desenvolvimento de um novo mercado possa
impor. Sem esquecer a questão cultural mal resolvida que liga todo e qualquer
empresário ao descaminho, corrupção ou na melhor das hipóteses ao oportunismo.
O alento da modernização da
retrograda e defasada lei trabalhista deve começar a atenuar o cenário, mas
ainda há um fosso enorme que nos separa de uma país moderno e desenvolvimentista,
que o diga nosso pequeno vizinho Uruguai, que tem dado um banho em atrai novos
investimentos estrangeiros, inclusive do empresariado brasileiro, que quando
pode, cruza nossa fronteira e se instala no país hermano.
A mudança de regras em áreas importantíssimas
da base da cadeia econômica, como o setor elétrico, destroçou a matriz de
preços de praticamente toda a economia nacional, a incerteza nasce lá no início
de toda a cadeia que compõe o preço. Qual a consequência disso? Simples, um
fator de risco e incerteza entra na composição de preços, e tudo mais passa a
somar. Quando o governo central aumenta
a CIDE no preço dos combustíveis, novamente outra cascata de incertezas é
disparada, porque este tipo de taxa ou contribuição está sempre disponível ao
mal gestor para que ele possa pelo viéz torto, fechar as contas de uma má
gestão.
Aqui em nosso estado, temos tido
uma série de pequenas taxas e contribuições criadas da noite para o dia em nome
de uma governabilidade eficiente, que sempre se socorre ao aumento de impostos
para se chegar ao superávit. Não se pode viver e planejar com todas estas
variáveis absolutamente sem controle. O Brasil é tão surreal e louco, quase
divertido, que um deputado federal acabou de propor e aprovar uma lei para as
bebidas quentes e as frias sejam obrigatoriamente vendidas ao mesmo preço.
Surreal isso. Mas qual é a consequência imediata desta lei maluca? Simples,
todas as bebidas vendidas quentes estarão mais caras para o consumidor. De onde
o excelentíssimo senhor deputado acha que vem a energia elétrica que refrigera
as bebidas? Com que dinheiro ele acha que os freezers e geladeiras foram
comprados? Será que ele acha que caíram do céu? Não meus amigos, ele não pode
achar; mas se utiliza de um proselitismo que nossa classe política é doutora em
fazer, e que só cresce em tempos de eleição, ou no caso de muitos deputados, de
reeleição.
Mas, e há sempre um más, há luz
ao final do longo e escuro túnel por qual estamos atravessando. Este janeiro de
2018 foi o primeiro janeiro dos últimos 05 (cinco) anos onde houve um aumento
de vagas e contratações formais, de maneira tal, que superou o número de
demissões em mais de 20 mil vagas. Algumas instituições e entidades de pesquisa
estatística já publicaram que teremos em 2018 uma criação de mais de 800 mil
vagas de empregos, sendo o primeiro ano dos últimos 06 (seis) anos que teremos
uma mudança do comportamento do mercado formal de empregos no Brasil. Como
existe uma proporção entre vagas formais para informais de 1 para 3, muito
possivelmente fecharemos este ano bem mais alegre e feliz, com vagas novas de
empregos, aumento do produto interno brito (PIB) próximo de 3%, e se Deus permitir,
sem nenhuma mudança séria nas bases legais e econômicas no país.
Sendo assim podemos efetivamente
dizer que depois de toda tempestade chegam os ventos alísios, com dias de sol e
paz para todos os brasileiros, mas não esqueça, 2018 tem eleição e reeleição,
cuidado, muito cuidado em quem vai votar. Afinal, a história e a estatística já
provaram, sempre dá para piorar.

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