O que é “O FUTURO” - Mudança digital – Parte 1.


Em 2013 eu tive a oportunidade de participar do THE 6TH INTERNATIONAL AAAI CONFERENCE ON WEBLOGS AND SOCIAL MEDIA em Dublin, na Irlanda, durante uma semana do mês de junho. Minha curiosidade havia me levado ao outro lado do Oceano Atlântico, exatamente na bela e úmida ilha da Irlanda, na Gran Bretanha.
Cheguei exatamente no dia anterior ao da abertura do congresso, de imediato a bela capital irlandesa me conquistou. Não demorou para eu descobrir uma das características do lugar, a chuva; e de uma tarde ensolarada, como por um passe de mágica de uma fada ou de um duende, a chuva se projetou em abundância. Durante toda a semana que passei por lá, este fenômeno viria a ser constante, o céu alternava de um sol firme e sem nuvens, para chuva constante e fria; uma taxista até me advertiu que o outro nome de Dublin seria um trocadilho com a palavra chuva em inglês “Rainblin”.
Na época, apresentei um pedido ao presidente da entidade que fazia parte, a Fenabrave, de participar deste importante congresso de mídias sociais, coisa do futuro na ocasião, o que foi aceito e em poucos dias eu estava sentado no meio das cabeças premiadas das universidades famosas, empresas de tecnologia de ponta, e é claro, os gigantes das mídias sociais do mundo. Eu não demorei a descobrir, na verdade levei pouco menos de 30 minutos, que havia me inscrito para um congresso de cientistas, pesquisadores e pensadores dos mais importantes laboratórios de tecnologia do mundo,  e eu seria, com exceção de um português que só vim a conhecer no quarto dia, os dois civis malucos que haviam se metido nesta enrascada. Eu estava no meio do “futuro”.
Durante uma semana, pude acompanhar de perto, sem tempo nem de respirar direito, tudo o que iria acontecer nos próximos anos com as mídias sociais e como seria a sua influência na vida das pessoas, ou melhor, como iria mudar radicalmente a vida das pessoas. Só fazem 5 anos, mas muita coisa já aconteceu de lá para cá, me parece que este tal futuro voa, e muito rápido. Estavam lá Twitter, Google, Yahoo, Microsoft, Linkedin, TripAdvisor, Amazon, e muitos outros. O Facebook havia começado a sua disputa com a internet sobre direitos de privacidade e se negava a discutir isso em público. Não se fez presente de última hora. Sabemos hoje que isso era só o embrião de todas as quebras de privacidade que esta rede social em particular iria impor ao mundo conectado ocidental.
Relendo as minhas muitas anotações, me lembro das previsões de algoritmos que entenderiam o humor dos usuários de diversas plataformas, e poderiam sugerir produtos ou sugestões de filmes, viagens, etc. Ou você acha que dentre outras ferramentas invisíveis, o Facebook e o Instagran montam a sua time line só por coincidências? Nós só havíamos de conhecer os chamados cookies anos depois, e hoje é impossível você passar despercebido visitando um blog ou site da rede, depois de ter procurado um produto ou serviço, os anúncios chovem na sua frente. E as sugestões de amizades ou recomendações de lugares, hotéis, restaurantes e filmes. De onde você acha que vêm tudo isso. Pois bem, eu estava lá na época que os cientistas e programadores estavam discutindo a melhor forma de tudo isso fazer parte de sua vida. É simplesmente impossível não se sentir invadido em sua privacidade. Ficamos nos perguntando, quem deu esse direito de invadir a minha vida assim? Já te respondo, nós mesmos. Recomendo ler as políticas e regras de privacidade dos aplicativos e sites da rede internet, garanto que você vai se assustar muito.
Não faço o gênero da teoria da conspiração e do fim dos tempos privados, mas estamos no limite mesmo, disso você leitor, não tenha dúvida. Quer um exemplo; a geolocalização bota por terra todas as chances de você se esconder fisicamente do mundo, caso esteja portando um telefone móvel, e ou um smartwatch de última geração, você deixa rastros meu caro, e isso está cada dia mais e mais difícil de apagar. De posse de seus hábitos de deslocamento, sugestões são feitas para a sua vida, desde a inocente troca de rota para evitar um engarrafamento, até a oferta de um produto quando você está passando por perto de um estabelecimento comercial que vende um produto cujo interesse em algum momento, você disse para “a rede” que você gostaria de ter. Sem falar na total destruição de privacidade em saber seus hábitos de rotas e lugares que frequenta. Está ficando assustado não é mesmo?
Vou deixar a parte mais pesada para a segunda parte deste texto, acho até mesmo que vai haver uma terceira parte, mas quer saber; hoje me dou conta que em junho de 2013 eu passei uma semana viajando no futuro, e só hoje, me dei conta desta experiência colossal que tive.
Até a próxima. 

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